Um estudo publicado recentemente na revista científica “Nature Sustainability” identificou que garrafas PET descartadas podem ser a matéria-prima de um dos principais medicamentos utilizados no tratamento de Parkinson. O remédio já existia, mas agora existe a possibilidade de ele ser produzido com garrafas plásticas.
A novidade veio da Universidade de Edimburgo, na Escócia, onde um grupo de pesquisadores usou bactérias geneticamente modificadas para transformar moléculas extraídas do plástico PET em L-DOPA, substância que já é base do tratamento do Parkinson há décadas. De acordo com os autores do estudo, essa conversão pode funcionar não apenas no material industrial das garrafas, mas nos itens descartados em si também, ajudando não apenas no tratamento de Parkinson, mas também no combate à poluição.
Os cientistas explicaram que o PET é quebrado em moléculas menores, entre elas o ácido tereftálico. Bactérias E. coli modificadas receberam genes que criam uma rota para transformar esse composto em L-DOPA. Nos testes, o método produziu cerca de 5 gramas da substância por litro da garrafa.
No entanto, vale ressaltar que a prática ainda é laboratorial e segue em fases de testes. Os pesquisadores destacaram que o processo ainda deve passar por melhorias antes que seja aplicado em escala industrial.
O que é o L-DOPA?
A L-DOPA é considerada uma das substâncias mais eficientes no tratamento de Parkinson, ajudando os pacientes a controlar os sintomas da doença. O medicamento já é utilizado há décadas como tratamento.
Após ser consumido e entrar no organismo do paciente, o remédio é convertido em dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle motor do corpo. A ausência desses neurotransmissores é uma das principais razões pela dificuldade enfrentada por pessoas com a doença ao tentar controlar os movimentos do corpo.
O que é o Parkinson?
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa que ataca progressivamente os neurônios responsáveis pela produção de dopamina. Os principais sintomas da doença são tremores involuntários, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. Em casos mais avançados, pode afetar memória, equilíbrio e sono.
Vale apontar ainda que a doença é muito associada a idosos, mas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 10% e 15% dos diagnósticos ocorrem em pessoas com menos de 50 anos.
Até o momento, o Parkinson não tem cura, mas os médicos vêm buscando novas e melhores formas de tratamento para devolver o máximo de conforto de volta aos pacientes afetados pela condição.





