A Albânia, na Europa, tem uma proposta em que pode acabar cedendo parte de sua capital, Tirana, para criar um microestado que serviria como uma espécie de “Vaticano para muçulmanos”, podendo desbancar o próprio Vaticano como o menor país do mundo se aprovado. Esse projeto foi anunciado em 2024 e aguarda votação no parlamento do país.
De acordo com informações do projeto, a expectativa é que, se aprovado, a Albânia cederá uma parte do leste de sua capital para a criação desse novo país “micro”. O novo Estado teria cerca de 100 mil metros quadrados, sendo quatro vezes menos que o Vaticano, que tem cerca de 440 mil m². Para fins de comparação, esse país seria menor que o Estádio do Maracanã (RJ); tem uma área total de 160 mil m². O país serviria como um enclave soberano, com fronteiras, passaportes e administração própria.
O apoio do país à religião muçulmana vem com a Ordem Bektashi, uma corrente de tradição islamista de tradição sufista. Essa ordem tem sede em Tirana desde 1929, após ter sido expulsa da Turquia. Seu atual líder, Baba Mondi, seria o primeiro comandante desse microestado.
Quem é Baba Mondi
Baba Mondi tem se destacado entre as figuras da religião islâmica não apenas por ser o possível “Papa muçulmano” nesse novo país, mas também por possuir visões mais moderadas do islamismo, o que causa controversia em segmentos mais conservadores da religião. O líder já afirmou a possibilidade de que esse novo país não aplicaria as regras rigorosas geralmente utilizadas por países em que o islamismo tem forte presença, permitindo liberdade de vestimenta e a permissão do consumo de álcool, por exemplo.
Justificativas e recepção
Edi Rama, o primeiro-ministro da Albânia, afirmou que o objetivo ao ceder parte de Tirana para a criação desse país é promover a tolerância religiosa e reposicionar a imagem do islamismo no cenário internacional ao criar um “Estado espiritual”, como o Vaticano, mas abrindo espaço para a religião muçulmana.
Apesar da justificativa do primeiro-ministro, a medida foi recebida com controvérsia pela população. Segundo informações da imprensa local, a Comunidade Muçulmana da Albânia não foi consultada e classificou a ideia como um precedente perigoso. Além disso, especialistas também questionam a procedência legal da medida e o impacto no equilíbrio religioso no país. A medida é vista como um assunto ainda delicado entre os cidadãos do país.





