Fumar deve ficar mais caro no Brasil em 2026. O governo federal anunciou aumento na tributação do cigarro e também reajuste no preço mínimo de venda no varejo.
A mudança atinge dois pontos. O primeiro é a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que sobe de 40% para 60%. O segundo é o preço mínimo da carteira, que passa de R$6,50 para R$7,50.
A medida foi apresentada dentro do pacote fiscal anunciado para compensar a perda de arrecadação com outras decisões do governo, como a desoneração ligada ao querosene de aviação e ao biodiesel. A estimativa da equipe econômica é de arrecadar cerca de R$1,2 bilhão nos próximos anos.
O que muda no bolso
Na prática, a decisão tende a pressionar o preço final pago pelo fumante. Como o cigarro já tem preço mínimo definido nacionalmente, o reajuste dificulta a venda abaixo desse piso.
Uma nota técnica do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal (Cetad), publicada em dezembro de 2025, já analisava a minuta que previa exatamente essa mudança: aumento do preço mínimo para R$7,50 a partir de 2026.
O que já existia antes
A política de preço mínimo do cigarro não é nova. Ela foi criada pela Lei nº 12.546/2011, que autorizou o governo a fixar um valor mínimo de venda no varejo em todo o país. A mesma lei também reforçou a tributação específica sobre o produto.
Em documento oficial do Ministério da Saúde, o governo já defendia que aumentos de preço e de imposto sobre cigarros reduzissem o consumo e ajudassem no controle do tabagismo. O texto cita que a política fiscal sobre o produto já teve impacto sobre a queda da prevalência de fumantes no país.
Por que isso pesa tanto
O efeito é direto porque o cigarro é um produto sensível a preço. Quando imposto e preço mínimo sobem ao mesmo tempo, o espaço para venda mais barata diminui.
Para quem fuma com frequência, a mudança pode representar um gasto bem maior no mês. E, para o governo, a medida tem dupla função: aumentar a arrecadação e desestimular o consumo.




