Um estudo publicado na npj Heritage Science testou, com modelagem computacional, uma hipótese segundo a qual a pirâmide de Quéops teria sido erguida com um sistema de rampas integradas às bordas da estrutura.
A pesquisa não encerra o debate; ainda assim, ela oferece uma explicação nova para um dos maiores desafios da arqueologia: como mover milhões de blocos de pedra em ritmo suficiente para concluir a obra durante o reinado de Quéops.
O que o estudo diz
Segundo o pesquisador Vicente Luis Rosell Roig, a ideia combina várias rampas adaptadas à própria borda da pirâmide, essa estratégia poderia sustentar despachos de blocos a cada 4 a 6 minutos.
Além disso, a simulação estimou uma duração de obra entre 20 e 27 anos, já com extração, transporte fluvial e pausas sazonais. Esse intervalo cabe no reinado de Quéops.
O artigo também afirma que as tensões estruturais calculadas ficaram dentro de limites plausíveis para o calcário do Reino Antigo.
Por isso, o autor defende que o modelo é tecnicamente viável, ao menos no ambiente da simulação.
Como seria
Rampas externas muito grandes exigiram volume excessivo de material e espaço ao redor da pirâmide. Já outras hipóteses esbarram em controle geométrico e ritmo de obra.
Nesse novo modelo, partes do perímetro ficariam temporariamente abertas.
Depois, essas áreas seriam preenchidas, o que ajudaria a apagar boa parte dos vestígios do sistema de transporte. Assim, a pirâmide manteria um “pé” externo mais limpo ao final da construção.
O estudo ainda sugere que a geometria do modelo pode ser compatível com vazios internos já detectados por técnicas modernas.
Entre elas estão observações com múons cósmicos, usadas por equipes internacionais para mapear estruturas ocultas no interior da pirâmide.
O que muda
A pesquisa muda mais o tom da conversa do que o veredito final.
Em vez de prometer uma resposta definitiva, o artigo apresenta um modelo quantitativo para testar uma hipótese antiga com mais rigor. O próprio autor diz que a proposta gera previsões verificáveis em campo.
Essas previsões incluem sinais como marcas de desgaste em cantos e traços de preenchimento nas bordas.
Ou seja: a simulação abre um caminho para novas checagens arqueológicas, mas não decreta, sozinha, que o enigma foi resolvido.




