Acordar com a cama molhada de urina é algo que a maioria das pessoas associa à infância. Mas quando isso acontece na adolescência ou na vida adulta, pode ser sinal de que algo mais sério está acontecendo com o organismo. A enurese noturna, nome clínico para o xixi involuntário durante o sono, figura entre os sintomas clássicos do diabetes tipo 1.
Foi exatamente isso que aconteceu com Dandara Machado, estudante de medicina e influenciadora mineira. Aos 15 anos, ela acordou com a cama molhada e, apesar de seguir uma rotina saudável, já sentia fadiga intensa, sede excessiva e cansaço persistente. Ao perceber que havia perdido oito quilos em poucos dias, decidiu procurar um médico. O diagnóstico foi diabetes.
Por que a doença causa esse sintoma?
Diferente da diabetes tipo 2, que costuma estar ligada a hábitos de vida e ao envelhecimento, a tipo 1 é uma doença autoimune. Nesse caso, o sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Sem insulina, o corpo não consegue processar a glicose de forma adequada, e o açúcar passa a se acumular no sangue.
Para tentar eliminar o excesso de glicose, os rins trabalham mais do que o normal e filtram grandes volumes de urina. Isso leva a um aumento na frequência e no volume das idas ao banheiro ao longo do dia, e à noite pode resultar no xixi involuntário na cama, mesmo em adolescentes e adultos.
O pediatra Rosalvo Streit Junior, da clínica EVO, destaca que o diagnóstico precoce é essencial nesses casos. Identificar a doença antes que ela avance permite iniciar o tratamento com insulina e reduzir muito o risco de complicações sérias, como a cetoacidose diabética, que torna o sangue ácido e pode causar emergência médica.
Outros sinais além do xixi
Além do xixi na cama, o diabetes tipo 1 costuma se manifestar com sede intensa, fome constante, perda de peso sem explicação, cansaço excessivo e sonolência fora do comum. Em crianças que já tinham adquirido controle urinário, voltar a urinar na cama também pode ser um indicativo.
O diagnóstico é feito por meio do teste de glicemia. O índice normal fica abaixo de 100 mg/dL em jejum. Valores entre 100 e 125 mg/dL indicam pré-diabetes e, acima de 126 mg/dL, confirmam diabetes.
O diagnóstico não é o fim
Dandara convive com a condição há 17 anos e garante que levou em frente uma vida ativa, incluindo os estudos em medicina com foco em ajudar pessoas com condições semelhantes à dela. Em suas redes sociais, ela compartilha a rotina para mostrar que o diabetes tem tratamento e não impede ninguém de viver bem.




