A Justiça do Rio Grande do Sul condenou nesta terça-feira (23) o influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado.
A sentença foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso. Gabriela Vicente de Sousa, a esposa de Dilson, foi condenada a 8 anos e 4 meses pelo mesmo tribunal.
Nego Di ficou conhecido ao participar do BBB, em 2021. O esquema investigado envolve rifas eletrônicas ilegais promovidas entre novembro de 2022 e maio de 2024, ao todo, 34 sorteios foram realizados sem autorização legal pelas redes sociais do influenciador, segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul.

O caso mais grave foi a rifa de um Porsche Macan, avaliado em cerca de R$ 500 mil. De acordo com a decisão, o resultado foi manipulado e um ganhador fictício foi criado, o prêmio nunca foi entregue. A fraude atingiu 9.683 participantes, com prejuízo de R$ 185,3 mil nas rifas.
No esquema de lavagem de dinheiro, mais de R$ 2,4 milhões foram movimentados por contas de terceiros e empresas para dificultar o rastreamento dos valores. Gabriela foi condenada por ceder contas bancárias e participar diretamente da movimentação financeira.
O comprovante falso
Nego Di também foi condenado pelo uso de documento falso em outro episódio, quando o influenciador publicou nas redes sociais um comprovante de transferência via Pix de R$ 1 milhão para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
A investigação concluiu que o valor real transferido foi de R$ 100. Para a Justiça, o documento foi adulterado para beneficiar a imagem pública do influenciador.
Segunda condenação
Esta não é a primeira vez que Nego Di é condenado, lá em junho de 2025, ele e o sócio Anderson Boneti receberam pena de 11 anos e 8 meses de prisão por estelionato na loja virtual Tadizuera, que vendia produtos abaixo do preço de mercado sem entregar as mercadorias. As vítimas naquele caso tiveram prejuízo estimado em R$ 5 milhões.
Nego Di está em liberdade provisória desde novembro de 2024, com medidas cautelares que incluem proibição de acessar as redes sociais, determinadas pelo STJ. A defesa pode recorrer da nova condenação.




