Foto: PexelsO Nubank encerrou o primeiro trimestre de 2026 com a carteira de crédito crescendo 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 37,2 bilhões.
O problema não foi o crescimento, foi a taxa de inadimplência: entre 15 e 90 dias subiu de 4,1% para 5,0% no período, e as provisões para perdas com crédito avançaram 75,7%, chegando a US$ 1,7 bilhão. O resultado foi suficiente para acender o alarme entre investidores.
As ações da empresa caíram quase 30% no ano. O Bank of America rebaixou a recomendação para venda e cortou o preço-alvo de US$ 16 para US$ 10. O Citi reduziu o preço-alvo de US$ 22 para US$ 18, mas manteve a recomendação de compra.
O BTG Pactual seguiu com compra, mas deixou um recado direto: o mercado precisará ver dois ou três trimestres de melhoria consistente na qualidade dos ativos antes de reconquistar confiança. “Um ou dois trimestres de boa qualidade de crédito do Nubank podem não ser suficientes”, diz o relatório do BTG, divulgado ao mercado em 19 de junho.
O que o banco diz
O diretor financeiro Guilherme Lago, antes de anunciar sua saída do cargo, explicou à imprensa que o resultado mais fraco decorreu da própria velocidade de crescimento da carteira.
O banco reforçou provisões de forma antecipada, não por deterioração efetiva, mas como precaução. O Nubank também anunciou que criará um novo cargo de diretor financeiro exclusivo para a operação brasileira.
O JP Morgan foi o mais brando na avaliação. Os analistas da instituição apontaram que o aumento do índice de Estágio 2, que mede clientes em alerta precoce de inadimplência, não refletiu uma explosão de calotes, mas sim ajustes mais conservadores nos modelos internos de risco.
“Vemos isso de forma menos negativa, pois sugere que os modelos estão identificando o risco de maneira proativa antes que os tomadores deixem de pagar”, escreveram os analistas.
O cenário que preocupa
O ambiente macroeconômico não ajuda. A Selic está em 14,25% ao ano, as famílias seguem endividadas e o crédito sem garantia, segmento em que o Nubank tem grande exposição, é o primeiro a sentir a pressão em ciclos de alta de juros.
O banco tem 112 milhões de clientes no Brasil e é a maior instituição financeira privada do país em número de correntistas. Agora começa a expandir para linhas com garantia, como crédito consignado e antecipação do FGTS.
Os próximos resultados trimestrais, previstos para agosto, serão o termômetro que o mercado aguarda para decidir se a piora foi pontual ou o início de uma tendência.



