A reabertura do Estreito de Ormuz, canal pelo qual passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, não deve normalizar o fluxo de navios de uma hora para outra.
Cracas, mexilhões, algas e outros organismos marinhos se fixaram nos cascos de centenas de petroleiros parados por meses no Golfo Pérsico durante o conflito entre Estados Unidos e Irã que estão atrapalhando o dia-a-dia.
Esses navios não podem partir até que os cascos sejam limpos, mas o processo, chamado no setor de remoção de bioincrustação, exige equipes de mergulhadores com raspadores, lixadeiras e equipamentos de alta pressão.

O trabalho é lento porque os navios são grandes demais para ser limpos depressa. “No mundo marítimo, isso não é tão estranho assim”, afirmou Hamm, limpador de casco profissional ouvido pela imprensa, “mas esses navios são grandes demais para mergulhadores individuais.”
Cracas nas hélices reduzem a eficiência dos motores e podem torná-las inutilizáveis com o tempo. Os organismos também entopem válvulas de admissão de água, danificando os sistemas de refrigeração das embarcações.
Além disso, as normas marítimas internacionais proíbem a chegada de navios com incrustações biológicas nos portos, por risco de introdução de espécies invasoras.
As outras travas para a reabertura
O problema das cracas é só o primeiro da fila, os navios varredores de minas precisam percorrer o estreito antes que os petroleiros possam transitar com segurança, pois parte do canal pode ter sido minado durante os confrontos.
O Irã também anunciou que os navios precisam se registrar no país e obter autorização prévia para cruzar o estreito. Seguradoras e financiadores das operações marítimas ainda não definiram se vão cobrir as viagens pela rota, uma incógnita que trava a largada mesmo para os navios já limpos.
O petróleo tipo Brent acumula alta de cerca de 30% no ano por causa da paralisação no fornecimento.
Neil Roberts, chefe do setor marítimo da Lloyd’s Market Association, lembrou que o combustível representa aproximadamente 50% das despesas de um navio, o que torna cada semana de atraso financeiramente onerosa para os armadores.
O maior choque energético da história
O conflito entre EUA e Irã, iniciado em 1º de março de 2026, causou queda de 70% no tráfego pelo estreito em seu pico. Mais de 150 navios chegaram a ancorar fora do canal para evitar os riscos. O acordo de paz foi assinado em 17 de junho, mas a normalização do mercado de petróleo deve levar semanas.




