Morar em uma rua arborizada pode fazer mais diferença para a saúde do coração do que você imagina. Uma pesquisa publicada na revista científica Environmental Epidemiology mostrou que viver em áreas urbanas com maior presença de árvores reduz em 4% o risco de doenças cardiovasculares, incluindo o infarto.
O dado pode parecer pequeno, mas considera uma população de quase 89 mil mulheres acompanhadas por quase duas décadas. Ao longo desse período, pesquisadores de centros nos Estados Unidos e na Europa analisaram mais de 350 milhões de imagens de ruas americanas para entender como o ambiente ao redor das casas afeta o coração.
Como o estudo foi feito?
A metodologia chamou a atenção de especialistas, pois passou a ser considerada mais precisa que a maioria das pesquisas anteriores. Em vez de medir a vegetação por satélite de forma generalizada, a equipe dividiu as imagens pixel por pixel e classificou cada elemento visível em cerca de 150 categorias diferentes, como copas de árvores, gramados, arbustos e flores.
Assim, foi possível separar o efeito de cada tipo de verde sobre a saúde cardiovascular das moradoras. O resultado mostrou que nem todo verde tem o mesmo impacto.
Nem toda vegetação funciona
Esse é um dos pontos mais interessantes da pesquisa. Enquanto a presença de árvores aparece ligada a um risco menor de doenças cardiovasculares, morar em ruas com predominância de gramados mostrou associação ao aumento desse risco.
Uma hipótese levantada pelos pesquisadores é que bairros com muitos gramados tendem a ser mais dependentes do carro e menos caminháveis. Isso pode incentivar um estilo de vida mais sedentário, fator conhecido por elevar o risco cardíaco. O uso de pesticidas e características do desenho urbano também foram citados como possíveis variáveis.
Por que as árvores fazem a diferença?
A pesquisadora Lis Leão, líder do grupo e-Natureza do Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, explica que a relação vai além do visual. Segundo ela, do ponto de vista psicofisiológico, ambientes naturais modulam o sistema nervoso autônomo e reduzem a ativação simpática crônica, que está diretamente ligada ao risco cardiovascular.
Além disso, as árvores contribuem de forma indireta para a saúde do coração por meio de outros mecanismos. Elas reduzem a poluição do ar, amenizam as ilhas de calor nas cidades, diminuem o ruído urbano e criam ambientes mais favoráveis à atividade física e à convivência social. Todos esses fatores têm impacto direto sobre o sistema cardiovascular.
A arborização não faz tudo
Vale lembrar que morar em uma rua arborizada não substitui outros cuidados essenciais com o coração. Alimentação equilibrada, prática de exercícios, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento médico regular continuam sendo pilares insubstituíveis da saúde cardiovascular.
Para os especialistas, as árvores entram como aliadas importantes nesse conjunto, não como solução isolada.




