A Venezuela já foi o país mais rico da América do Sul, com um PIB per capita maior do que a França, Itália e Alemanha nos anos 50. E nos anos 70 produzia mais de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia. Hoje, mais de 20 milhões de venezuelanos vivem em situação de pobreza multidimensional e cerca de 8 milhões deixaram o país desde 2014. O motivo por trás dessa queda é o mesmo que um dia a colocou no topo: o petróleo.
O país possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta, mas especialistas descrevem essa riqueza como a bênção e a maldição da Venezuela. A dependência quase exclusiva do recurso fez com que agricultura, manufatura e outros setores ficassem estagnados, um fenômeno econômico conhecido como “doença holandesa”, fenômeno econômico onde a exportação massiva de recursos naturais (commodities) valoriza a moeda local, tornando outros setores, como a indústria, menos competitivos.
A queda
Quando os preços internacionais do petróleo começaram a cair nos anos 80, a economia sentiu os efeitos rapidamente. A pobreza voltou a crescer, o descontentamento aumentou e o país entrou em uma espiral de instabilidade política que se aprofundou nas décadas seguintes, passando pelos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
A falta de reinvestimento na infraestrutura petrolífera, a corrupção crescente e as sanções americanas a partir de 2017 fizeram a produção despencar. Em 2014, quando o preço do petróleo caiu nos mercados internacionais, o estrago foi total: o país perdeu 80% do seu PIB entre 2014 e 2021 e a inflação anual chegou a mais de 800% em 2017.
E agora?
Com a detenção de Maduro em janeiro de 2026, Donald Trump prometeu que empresas americanas recuperariam a infraestrutura petrolífera venezuelana. Especialistas alertam, porém, que seriam necessários dezenas de bilhões de dólares e até uma década para isso. A reconstrução envolve não só os equipamentos de exploração, mas estradas, logística e energia, já que o país enfrenta cortes elétricos constantes.
O futuro segue incerto, mas a trajetória venezuelana deixa uma lição clara: depender de um único recurso, por mais valioso que seja, pode transformar uma bênção em armadilha.





