O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) está fora de controle, segundo alerta da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgado nesta segunda-feira, 15 de junho.
A doença avança pelas províncias orientais de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, com Ituri concentrando quase 95% dos casos registrados até agora.
As autoridades sanitárias congolesas reportaram oficialmente mais de 650 contágios confirmados e mais de 130 mortes:
“Ninguém conhece a real dimensão da epidemia, nem sabe exatamente onde a doença está se espalhando”, afirmou Kate White, coordenadora de emergência da MSF no país, em nota divulgada pela organização.
Segundo White, a maioria dos centros de tratamento na província de Ituri está sobrecarregada. Muitos pacientes chegam em estágio avançado da doença e nunca haviam sido identificados ou monitorados como contato antes de buscar assistência médica, o que dificulta o rastreamento da cadeia de transmissão.
Um vírus sem vacina aprovada
O surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, uma das variantes do ebola, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados.
A região onde a doença se espalha já enfrenta anos de insegurança e conflito armado, o que torna o trabalho humanitário e sanitário ainda mais difícil, segundo a MSF.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia declarado o surto como emergência de saúde pública de importância internacional após o primeiro registro, em 15 de maio.
O Conselho Internacional de Enfermeiros alertou para a escassez de equipamentos de proteção individual na região. Profissionais de saúde relataram temer por sua própria segurança por falta de itens básicos para se proteger durante o atendimento aos pacientes infectados.
Greve agrava a crise
A situação piorou ainda mais com a greve de cerca de 2.500 médicos e agentes de saúde do setor público, iniciada em 11 de junho por tempo indeterminado.
Os profissionais relatam exaustão, meses sem receber salário e perda de colegas, em meio à falta de instalações hospitalares adequadas, sobretudo na província de Ituri.
A MSF mantém presença na região há duas décadas e já reabriu um centro de tratamento de ebola em Goma, além de apoiar o treinamento de profissionais de saúde locais.




