O ditado “O crime não compensa” é famoso para muitos e tenta ensinar aos mais jovens que a punição por infringir a lei não compensa qualquer ganho com infração. No entanto, muitos brasileiros estão indo às redes para reclamar justamente de uma controvérsia a esse ditado: a assassina Suzane von Richthofen recebeu cerca de R$ 500 mil da Netflix.
Suzane, que segue cumprindo pena em regime aberto pelo assassinato dos pais em 2002, concedeu uma entrevista para o serviço de streaming, que produz um documentário sobre o crime. A parricida recebeu o montante em reais para contar a versão dela sobre o ocorrido.
O valor corresponde a mais de 300 salários mínimos, já que o piso nacional está em R$ 1.621 em 2025. A Netflix chegou a ser procurada pela imprensa, mas não se pronunciou sobre o caso.
O documentário
O documentário sobre o caso Richthofen começou a ser produzido após o sucesso da série Tremembé, lançada pelo serviço rival da Netflix, o Prime Vídeo, em 2025. A assassina condenada foi um dos procurados pela produção da Netflix para entrevistas. Ela topou contar a versão dela dos fatos desde a infância até o crime, dando a própria visão sobre a relação com os familiares.
No material, ela descreve a casa dos pais como um ambiente sem afeto e marcado por cobranças. Além disso, relata ter presenciado o pai, Manfred von Richthofen, agredir fisicamente a mãe, Marísia, quando ainda era criança. A produção também aborda a vida atual de Suzane com o marido, Felipe Muniz, e o filho do casal.
Ainda que reconheça sua culpa no crime, ela nega ter participado do planejamento do assassinato. O documentário ainda não tem data de lançamento prevista.
O crime
Em 31 de outubro de 2002, Suzane, então com 19 anos, planejou o assassinato dos próprios pais dentro da mansão da família, em São Paulo. Ela contou com a ajuda do então namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Christian Cravinhos.
Depois do crime, Suzane ainda ajudou a encenar um assalto para tentar despistar a polícia. Inicialmente, o caso foi tratado como latrocínio. Porém, inconsistências nos depoimentos e nas provas levaram à descoberta do envolvimento dela.
Em 2006, os três foram julgados e condenados. Suzane e Daniel receberam penas de 39 anos de prisão, e Christian foi condenado a 38 anos. Em 2015, após quase dez anos na prisão, ela progrediu para o regime semiaberto. Em 2023, passou para o regime aberto.
O que a lei diz sobre isso?
Com a repercussão do caso, críticos vêm fazendo o questionamento: criminosos podem mesmo lucrar com seus crimes por meio de produções audiovisuais? Segundo o professor de direito do Centro Universitário de Brasília, Leonardo Aquino, a legislação brasileira só abre brecha para indenização quando o conteúdo vai além do que está registrado nos autos do processo.
A advogada Erika Lenehr reforça que a lei não proíbe esse tipo de produção, mas traça limites claros. Para ela, o uso da liberdade de expressão é permitido desde que não adentre a vida privada e a intimidade da pessoa retratada, especialmente quando se fazem julgamentos ou suposições sobre o que ela estaria pensando.




