Uma pesquisa recente realizada pela Quaest revelou que 58% dos brasileiros estão apreensivos com a possibilidade de uma intervenção americana semelhante à que ocorreu na Venezuela.
Divulgada na última quinta-feira (15), a pesquisa destaca a inquietação crescente sobre o papel dos Estados Unidos na América Latina, principalmente após a captura de Nicolás Maduro.
O estudo, que ouviu 2.004 pessoas e apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
Contexto e reações do governo brasileiro
A amostragem revelou que 51% dos entrevistados consideram que a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da intervenção norte-americana na Venezuela foi equivocada.
Lula descreveu a captura de Maduro como uma violação inaceitável, reforçando a crítica ao uso da força por parte dos Estados Unidos. 66% dos entrevistados defendem uma posição de neutralidade do Brasil em relação às ações americanas no continente.
Histórico de intervenções dos EUA na América Latina
A intervenção dos Estados Unidos em assuntos latino-americanos não é um fenômeno recente. Desde a formulação da Doutrina Monroe, em 1823, que delimitava a América Latina como esfera de influência dos EUA, este padrão de intervenção tem se repetido em vários momentos.
Isso se intensificou durante a Guerra Fria, quando o país norte-americano apoiou golpes de estado e intervenções militares visando seus interesses geopolíticos.
Doutrina Monroe e a Venezuela
A Doutrina Monroe, que enfatizava a exclusividade da influência americana na América Latina, serviu de base para várias ações intervencionistas.
O episódio envolvendo a captura de Maduro é visto por muitos como um retorno a essa doutrina sob a alegação de segurança nacional.
Repercussões regionais e globais
A operação na Venezuela traz possíveis repercussões regionais significativas. Países como Cuba, México e Colômbia, todos com governos de inclinações esquerdistas e historicamente críticos aos EUA, observam os desdobramentos com cautela.
Essas ações também podem desencadear reações de outras potências globais como China e Rússia, que buscam expandir sua influência geopolítica na América Latina.
Para o Brasil, um ano eleitoral amplia o desafio de se posicionar frente a essas tensões internacionais. O país precisa equilibrar a manutenção de sua soberania com a necessidade de um diálogo produtivo com potências internacionais, incluindo os Estados Unidos.




