Após décadas às margens da extinção local, a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) voltou às águas do mar de Salish, e em números impressionantes.
Desde 2023, a espécie vem crescendo a taxas da ordem de 8% ao ano, segundo pesquisadores, e já pode ser observada em locais onde não se via jubartes desde os primeiros anos do século 20.
Caça às baleias jubarte
Nas primeiras décadas do século 20, as jubartes eram comuns na costa que vai do Norte da Califórnia, EUA, até o sul da Colúmbia Britânica, especialmente no mar de Salish.
Com o passar dos anos, as caçadas industrialmente por sua carne, barbatanas e óleo, perderam mais de 95% da população. As estações baleeiras se multiplicaram, e por décadas se tornou raro ver essas baleias nas águas internas do noroeste da América do Norte.
Mudanças de política e recuperação ambiental
A virada começou com proibições e regulamentações. Em 1966, foi proibida a caça comercial de jubartes nos EUA. A Comissão Internacional da Baleia decretou moratória global em 1986.
Leis nacionais como o Marine Mammal Protection Act, o Endangered Species Act, além de legislações para limpeza de águas, melhoria no tratamento de esgoto etc., contribuíram para restaurar parte do habitat perdido.
Além disso, pesquisadores montaram catálogos fotográficos de jubartes, identificando indivíduos pelas marcas únicas em suas caudas, o que permitiu rastrear a população ao longo do tempo.
O que se observa hoje?
Estimativas apontam que, atualmente, existem mais de 5.000 jubartes ao longo da costa oeste da América do Norte, inclusive cerca de 2.000 nas águas do estado de Washington e sul da Colúmbia Britânica.
As jubartes estão retornando a áreas de alimentação que estavam praticamente abandonadas décadas atrás, como as proximidades da foz do Rio Columbia, baías interiores e outras regiões costeiras do mar de Salish.
A abundância de presas tem sido um indicador de que a cadeia alimentar marinha está suficientemente saudável para sustentar esses grandes mamíferos.
Ameaças que persistem
Embora a recuperação seja motivo de celebração, os especialistas alertam para riscos contínuos. como:
- Colisões com navios: com o aumento de navios de carga e balsas, há um sobrecruzamento entre rotas de tráfego e áreas de alimentação de jubartes.
- Enredamento em equipamentos de pesca: redes, linhas de pesca e outros apetrechos continuam sendo um perigo real, causando ferimentos ou morte dos animais.
- Alterações climáticas: ondas de calor marinhas e o aquecimento dos oceanos impactam a disponibilidade de presas e forçam as jubartes a alterar suas rotas ou se aproximarem mais da costa, o que aumenta os conflitos com humanos.
Importância ecológica e cultural
As jubartes não são apenas símbolos de recuperação, mas também peças-chave dos ecossistemas marinhos. Ao consumirem grandes quantidades de pequenos peixes, ajudam a manter o equilíbrio da cadeia alimentar.
Além disso, a presença delas tem valor para comunidades costeiras, para o turismo de observação de baleias, e para estudos científicos sobre migração, saúde oceânica e mudanças climáticas.
O retorno das jubartes ao mar de Salish é uma vitória ambiental significativa, prova de que, com políticas eficazes e esforços sustentados, espécies quase extintas localmente podem retornar.




