O açúcar tem uma característica que pouca gente conhece: uma parte dele, a frutose, não pode ser processada por nenhuma célula do corpo, exceto o fígado. Isso significa que toda vez que o fígado recebe frutose em excesso, ele precisa trabalhar sozinho para dar conta.
O fígado converte o excesso em gordura, que se acumula nas células hepáticas e abre caminho para a esteatose hepática.
A esteatose, ou fígado gorduroso, não dói e costuma passar despercebida. Sem tratamento, contudo, ela pode evoluir para inflamação crônica, fibrose e, nos casos mais graves, cirrose metabólica, estágio no qual o fígado perde progressivamente a capacidade de funcionar.
O que acontece no coração e nos vasos
O caminho do açúcar até o coração passa pelo ácido úrico. Uma revisão publicada no American Journal of Clinical Nutrition demonstrou que o excesso de frutose eleva os níveis de ácido úrico no sangue, o que inibe o óxido nítrico.
O óxido nítrico é o composto que relaxa os vasos sanguíneos e ajuda a equilibrar a pressão arterial. Sem ele funcionando bem, os vasos ficam mais rígidos, a pressão sobe e o risco de aterosclerose, infarto e AVC aumenta de forma progressiva.
Além disso, o processo de conversão da frutose em gordura pelo fígado eleva os triglicerídeos no sangue, outro fator de risco cardiovascular.
A American Heart Association (AHA) relaciona diretamente o consumo excessivo de açúcares adicionados ao aumento do risco de doenças do coração, independentemente do peso corporal.
Quanto é demais?
A AHA define limites claros para o consumo diário de açúcares adicionados: 25 gramas para mulheres e 37,5 gramas para homens. Uma lata de refrigerante padrão já concentra, em média, 35 gramas, ultrapassando o limite feminino com uma única embalagem.
Reduzir não significa cortar tudo. Frutas com baixo teor de frutose, como morango, kiwi e limão, entregam vitaminas, fibras e antioxidantes com impacto menor no fígado.
O problema está nos açúcares adicionados de alimentos industrializados, especialmente xarope de milho rico em frutose, presente em refrigerantes, sucos de caixinha e biscoitos recheados.




