Mais da metade dos brasileiros que voltaram ao trabalho presencial não escolheu isso. Uma pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise mostra que, no Brasil, 63% dos trabalhadores já retornaram aos escritórios.
Entre eles, 79% voltaram por exigência das empresas, não por vontade própria. O dado acende um alerta sobre retenção de talentos num mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
O que os trabalhadores querem
A preferência dos profissionais é clara: apenas 42% dos brasileiros optariam pelo trabalho exclusivamente presencial se a decisão dependesse deles.
Por outro lado, a flexibilidade tem peso financeiro direto: segundo o mesmo estudo, 64% dos profissionais afirmam que trocariam de emprego por uma melhor qualidade de vida, mesmo com salário menor.
Além disso, a resistência ao presencial tem rostos bem definidos. A pesquisa, feita com 2,5 mil profissionais, mostra predominância de millennials, que representam 37%, e da geração Z, com 32%. Esses grupos priorizam propósito e flexibilidade.
Por que as empresas insistem no retorno
No setor bancário, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil anunciaram entre junho e agosto de 2025 que funcionários corporativos deveriam retornar ao modelo presencial ou híbrido, com mínimo de quatro dias por semana no escritório.
A justificativa oficial envolve cultura organizacional e integração de novos talentos.
No entanto, o argumento tem limites. Mesmo quando empresas anunciam políticas mais rígidas, os escritórios não voltam a operar em capacidade total. O padrão mais comum é a concentração de pessoas entre terça e quinta-feira, com baixa presença no início e no fim da semana.
O custo da obrigatoriedade
A imposição sem diálogo tem preço. A perda da flexibilidade gera desmotivação em 44% dos profissionais e ansiedade em 38%. Portanto, empresas que não oferecem contrapartida correm o risco de perder exatamente quem mais querem manter.
Dados do relatório The 2026 Workplace Statistics and Benchmarks indicam que 73% das equipes relatam ganho de produtividade no modelo híbrido, enquanto 69% das empresas observam melhora na retenção de talentos nesse formato.





