Os Correios anunciaram, nesta semana, um prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões referente apenas ao primeiro trimestre do ano. Este valor representa um aumento de 83,02% em comparação ao mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 1,725 bilhão.
Especialistas apontam que o resultado reforça a crise financeira da estatal, que acumula perdas consecutivas desde 2022 e registrou seu pior ano histórico em 2025, com um rombo total de R$ 8,5 bilhões.
Principais fatores do déficit
O salto nas despesas foi impulsionado principalmente por dois fatores: as despesas gerais e administrativas e as despesas financeiras. Os gastos gerais e administrativos saltaram de R$ 1,22 bilhão no primeiro trimestre de 2025 para R$ 2,26 bilhões em 2026.
Deste total, R$ 1,079 bilhão corresponde a provisões para contingências judiciais, fruto de uma reavaliação em massa dos processos trabalhistas, cíveis e fiscais pela assessoria jurídica da empresa.
Simultaneamente, as despesas financeiras quase quadruplicaram, passando de R$ 282,9 milhões para R$ 985 milhões. Esse aumento deve-se especialmente aos encargos da dívida interna, incluindo juros e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além do reconhecimento de multas sobre tributos de importação.
A combinação de queda na receita líquida com a explosão desses custos operacionais resultou no saldo negativo recorde para um primeiro trimestre.
Situação patrimonial
De acordo com especialistas, a situação patrimonial dos Correios é crítica, com um patrimônio líquido negativo de R$ 16,2 bilhões, o que significa que a União teria que injetar esse valor para honrar todos os compromissos da estatal se ela encerrasse suas atividades hoje.
O passivo total da empresa é de R$ 38,5 bilhões, enquanto os ativos somam R$ 22,26 bilhões. Para garantir a liquidez e evitar o calote, o Tesouro Nacional aprovou um empréstimo de R$ 12 bilhões, embora o plano original da empresa previsse um aporte de até R$ 20 bilhões.
Alertas sobre o empréstimo
O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o Governo Federal sobre possíveis violações da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) relacionadas a esse empréstimo. A corte de contas apontou insuficiência na análise da capacidade de pagamento da estatal e a ausência de uma verificação independente das premissas financeiras do plano de reestruturação.
Apesar do cenário, a direção dos Correios informou que o prejuízo ficou abaixo das projeções internas e manteve o objetivo de retomar o equilíbrio econômico-financeiro e apresentar resultados positivos apenas no final de 2027.





