A situação das bets, plataformas online de apostas no Brasil, vem evoluindo de forma que o vício em apostas se consolidou como uma crise de saúde pública, segundo especialistas. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde confirmam que os atendimentos no SUS saltaram de 305 casos em 2018 para 5,3 mil registros em 2025, um aumento de 17 vezes.
De acordo com os dados, apenas entre 2023 e 2024, houve um crescimento de 54% nos atendimentos. Além disso, taxas da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que o número real de dependentes, a ludopatia, possa atingir até 4 milhões de brasileiros.
O perfil predominante dos afetados é de homens, negros, entre 18 e 35 anos, em situação de vulnerabilidade social, desemprego ou com rede de apoio frágil. De acordo com estudos na área, o impacto econômico e social coletivo causado pelas bets anualmente é estimado em R$ 38,8 bilhões.
Entenda mais sobre os riscos à saúde causados pelo vício em apostas no vídeo abaixo:
Enfrentamento ao vício
Devido à crise de saúde e social, o Governo Federal vem buscando alternativas e formas de combater o vício em bets, além de buscar medidas para aliviar o crescente endividamento da população brasileira, que também é agravado com as plataformas de apostas, com programas como o Novo Desenrola Brasil.
Confira algumas das medidas adotadas para tratar o vício em bets:
- Teleatendimento especializado: Desde março de 2026, o SUS oferece atendimento remoto gratuito pelo aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. O serviço, que inicialmente previa 450 atendimentos mensais, foi ampliado com meta de alcançar 100 mil sessões por mês, focado em acolhimento psicológico e terapêutico.
- Autoexclusão: Lançada em dezembro de 2025, a ferramenta no portal Gov.br permite o bloqueio do CPF em todas as casas de apostas legalizadas. Até maio de 2026, 574 mil brasileiros já aderiram à plataforma. Deste total, 69% optaram pelo bloqueio por tempo indeterminado.
- Pesquisas na área: O Ministério da Saúde repassou R$ 6 milhões para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizar a primeira pesquisa nacional específica sobre o impacto das apostas na saúde mental no âmbito do SUS, com início previsto para 2026.
Pressão por regulamentação
O marco regulatório está em fase de consolidação e endurecimento. Em 2026, operam no país cerca de 185 plataformas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
O Governo Federal, liderado pelo ministro Alexandre Padilha, defende restrições severas à publicidade, comparando a estratégia à luta antitabagista, citando a necessidade de proibir propagandas em eventos esportivos e para menores de idade.
Além disso, é discutida no Congresso Nacional a destinação de parte da arrecadação das bets (que atingiu R$ 9,95 bilhões em tributos federais em 2025) para fundos de saúde e segurança pública, visando mitigar os danos sociais causados pela atividade.
A fiscalização contra o mercado ilegal também se intensificou, com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) bloqueando milhares de sites irregulares que operam à margem da lei e das proteções ao consumidor.





