Tomar refrigerante todos os dias no almoço pode pesar mais no fígado do que muita gente imagina.
Um estudo com quase 100 mil mulheres pós-menopausa, publicado em 2023 no JAMA, encontrou maior incidência de câncer de fígado e maior mortalidade por doença hepática crônica entre quem consumia uma ou mais bebidas açucaradas por dia.
Alerta não vale só para refrigerante
No estudo, entram refrigerantes comuns e outras bebidas adoçadas com açúcar. As pesquisadoras observaram que o grupo com consumo diário teve taxas mais altas desses desfechos em comparação com quem bebia três ou menos porções por mês.
O trabalho é observacional, então não prova causa direta sozinho, mas reforça um sinal de risco que já aparecia em outras pesquisas sobre fígado gorduroso e excesso de açúcar líquido.
O fígado entra no centro da conta
A American College of Gastroenterology orienta evitar bebidas açucaradas em quadros de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), antiga esteatose hepática não alcoólica, e cita refrigerantes e outros produtos com açúcar.
A American Liver Foundation segue a mesma linha: a entidade recomenda limitar açúcar e evitar bebidas açucaradas, como refrigerantes, porque o consumo elevado de açúcar e frutose está ligado à obesidade, diabetes tipo 2, entre outras.
No Brasil, orientação também é de frear
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, classifica refrigerantes e outras bebidas ultraprocessadas como produtos que devem ser evitados. O documento associa esse grupo alimentar a piora do padrão da dieta e maior risco de doenças crônicas.
Isso não significa que um copo isolado no almoço vá causar dano imediato. O alerta da ciência recai sobre o consumo habitual, sobretudo diário, porque ele soma açúcar líquido à rotina e pode favorecer ganho de peso, resistência à insulina e acúmulo de gordura no fígado ao longo do tempo.
Essa ligação entre bebidas açucaradas e fígado gorduroso também já apareceu em meta-análise e em estudos de coorte anteriores.
Troca mais simples continua sendo água
Entre as recomendações mais consistentes das entidades de saúde, a substituição mais segura continua sendo água. A American College of Gastroenterology resume essa orientação de forma direta ao recomendar evitar sucos e bebidas açucaradas.
Uma troca recorrente é a água com gás e limão, para pessoas que ainda não conseguem largar o refrigerante e precisam se desfazer aos poucos.





