A indústria automotiva brasileira deve passar por mudanças relevantes a partir de julho, quando o governo federal encerra a isenção fiscal aplicada a kits de carro elétrico e híbrido montados no país.
Com a medida, a alíquota de importação desses componentes, antes reduzida, será elevada gradualmente até atingir 35%. Na prática, a decisão tende a encarecer a montagem local de veículos eletrificados e pode refletir diretamente no preço final ao consumidor.
Carro elétrico: Pressão sobre as montadoras
Até então, muitas fabricantes operavam no Brasil por meio dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), que permitiam importar veículos desmontados ou parcialmente montados com carga tributária menor.
A partir das novas regras, esses kits passam a ter tributação semelhante à de veículos importados prontos, com equiparação total prevista até 2027.
Esse cenário pressiona montadoras como GWM, Geely e BYD a acelerar a nacionalização de componentes e ampliar a produção local para manter a competitividade.
Incentivo à indústria nacional
A elevação das tarifas atende, em parte, a uma demanda da indústria automotiva instalada no país, que defende condições mais equilibradas de concorrência com marcas que operam majoritariamente por importação de kits.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida faz parte de uma estratégia mais ampla de neoindustrialização, com foco na descarbonização da frota e no fortalecimento da cadeia produtiva nacional, preservando empregos e estimulando investimentos locais.
Efeito direto no bolso do consumidor do carro elétrico
Para o consumidor, o principal efeito pode ser o aumento nos preços dos carros elétricos e híbridos. As montadoras terão de decidir entre absorver parte da nova carga tributária, reduzindo suas margens, ou repassar o custo aos compradores.
Esse cenário pode dificultar o acesso a veículos eletrificados, justamente em um momento em que o mercado brasileiro começava a ampliar a oferta e a competitividade nesse segmento.
Adaptação do mercado
Algumas fabricantes já se anteciparam às mudanças. A GWM inaugurou sua fábrica em Iracemápolis (SP), enquanto a BYD iniciou a montagem de veículos em Camaçari (BA), movimentos que indicam uma estratégia clara de fortalecimento da presença industrial no país.
Essas iniciativas demonstram que o setor está se reorganizando para atender às novas exigências fiscais e reduzir a dependência de componentes importados.
O que esperar para os próximos anos
A elevação das tarifas representa uma tentativa de impulsionar a produção nacional de veículos eletrificados, mas traz desafios imediatos para as montadoras e para os consumidores.
A forma como as empresas irão se adaptar a esse novo regime tributário será decisiva para o ritmo de crescimento do mercado de carros elétricos no Brasil, especialmente com a previsão de alíquotas totalmente equiparadas a partir de janeiro de 2027.




