Uma investigação alveja um tipo de golpe que vem sendo denunciado no Brasil conhecido como “limpa-nome“, que envolve associações, advogados e até juízes. O golpe promete a limpeza do nome de devedores, mas não cancela as dívidas; apenas as oculta temporariamente dos órgãos de proteção ao crédito através de liminares judiciais.
De acordo com informações sobre o caso, o esquema opera mediante a inserção fraudulenta de nomes de devedores em associações de defesa do consumidor, muitas vezes sem o conhecimento pleno dos indivíduos, para entrar com ações coletivas.
O argumento jurídico utilizado é a falta de notificação prévia da negativação, embora investigações apontem que a maioria dos devedores recebeu sim a notificação.
É estimado que, ao longo de cinco anos, cerca de R$ 130 bilhões em créditos tenham sido camuflados, permitindo que pessoas com dívidas ativas contraiam novos empréstimos enganando o mercado.
Golpes aproveitando o “Desenrola 2.0”
Cibercriminosos estão se aproveitando do lançamento do Novo Desenrola Brasil, programa de quitação de dívidas lançado pelo Governo Federal, para aplicar golpes financeiros. O Ministério da Fazenda chegou a emitir alertas em meados de maio de 2026 sobre portais fraudulentos que imitam a identidade visual do governo.
Esses sites falsos prometem descontos de até 96% nas dívidas e a limpeza do nome em cinco dias, condicionando o benefício ao pagamento de uma suposta “taxa administrativa” via Pix, que não existe no programa oficial.
As fraudes utilizam engenharia social para explorar o desespero dos endividados, coletando dados sensíveis como CPF e informações bancárias sob a falsa premissa de “verificação de elegibilidade”.
Especialistas em cibersegurança destacam que o programa governamental não cobra taxas para participação e que a renegociação deve ser feita diretamente com as instituições financeiras, e não através de portais intermediários ou links recebidos por mensagens.
Prisões e operações
Na semana passada, a Polícia Civil de São Paulo prendeu três suspeitos de aplicar golpes milionários utilizando empresas de fachada. O grupo, que mantinha um estilo de vida luxuoso, desviou aproximadamente R$ 30 milhões em dois anos, atuando com falsas promessas de renegociação de dívidas e venda de cursos de inteligência artificial inexistentes.
De acordo com as investigações do caso, as vítimas, incluindo idosos e empresários, eram atraídas por redes sociais e contatos telefônicos.





