Muitos de nós temos aquele amigo mais distante, que não se abre muito e prefere a própria companhia. Se não for amigo, é conhecido, isso ou nós mesmos somos essa pessoa. A sociedade aprende a enxergar essas pessoas como “antisociais” ou excessivamente introvertidas, mas a psicologia fala sobre uma outra perspectiva: aversão à vulnerabilidade.
Essas pessoas podem ser amigáveis, boas de papo, gentis e até prestativas. No entanto, mesmo sendo solícitas a amigos, você pode nunca ver essa pessoa pedindo ajuda aos outros e até recusando diversos convites para sair. Para especialistas, isso não significa que a pessoa seja bem questão de personalidade, e sim algo patológico que pode ter iniciado na infância.
O que a “Hiperindependência” pode ser?
O psiquiatra britânico John Bowlby diz que os nossos primeiros contatos com os adultos responsáveis por nós podem influenciar como enxergamos relações por toda a vida. Isso é a descrição da “Teoria do Apego“, desenvolvida pelo psicólogo, que também é explicada no vídeo abaixo:
Em resumo, a teoria diz que as pessoas responsáveis pela criação das crianças, sejam pais, avós ou guardiões legais, são os principais “modelos sociais” da criança. Quando esses responsáveis se conectam e ficam disponíveis para a criança, ela aprende a depender dos outros e se sente segura pedindo ajuda.
No entanto, o contrário também é verdade. Se o responsável trata a criança com frieza, indisponibilidade e inconstância, a criança para de esperar a presença desse adulto em sua vida. Isso faz com que na vida adulta, essa pessoa também não espere a presença de outros, sejam eles familiares ou amigos.
Além disso, em casos mais graves onde a criança é punida por buscar os adultos, ela passa a associar procura por conexão com dor e emoções negativas. Isso pode criar uma versão ainda mais intensa desse desapego na fase adulta do indivíduo.
O “autosuficiente compulsivo”
Bowlby batizou essas pessoas de “autosuficientes compulsivos“. Isso se dá pelo fato de que essas pessoas se enxergam de forma positiva, mas veem a influência de terceiros de forma negativa. Esses indivíduos são confiantes ao navegar a vida, mas possuem baixa confiança social. Em resumo: eles confiam neles mesmos, mas não nos outros.
De acordo com o psicólogo, isso não se trata de uma característica antisocial nata, e sim de uma adaptação. Bowlby diz que se trata da criança que aprendeu cedo as “regras” de uma casa com pais ausentes. No entanto, essa criança levou essas regras para a vida adulta.
No caso, essa teoria aponta que esse tipo de indivíduo pode simplesmente ser alguém “bom”, mas para se proteger, escolhe não confiar em terceiros. A psicologia destaca que são pessoas simplesmente machucadas pela vida, que podem ser tão prestativas quanto os indivíduos mais sociais. Para eles, a presença de amigos é opcional, como diz o vídeo abaixo:




