Apagar a luz e sentir um frio na espinha. Correr para debaixo do cobertor como se algo fosse atrás. Esse comportamento parece coisa de criança, mas persiste na vida adulta com muito mais frequência do que as pessoas admitem.
O medo do escuro tem nome: nictofobia. E a ciência explica que ele vai bem além do que muitos consideram uma “birra infantil”.
Herança evolutiva
Segundo especialistas em psicologia e comportamento humano, o medo do escuro tem raízes ancestrais. Na pré-história, a escuridão era sinônimo de perigo real. A maioria dos predadores eram noturnos, e a ausência de visibilidade colocava a vida em risco.
Esse instinto de alerta pode ter sido incorporado ao inconsciente coletivo ao longo de milênios. Em outras palavras, parte do cérebro ainda reage à escuridão como se houvesse uma ameaça concreta, mesmo que hoje o maior perigo seja tropeçar no cachorro ou bater o dedinho do pé na quina da cama.
Experiências na infância
Além da herança evolutiva, experiências vividas na infância também moldam a relação com o escuro. Castigos em ambientes sem luz, histórias assustadoras e situações traumáticas reforçam a associação entre escuridão e ameaça.
Fatores como ansiedade generalizada e imaginação muito ativa também entram na conta. Juntos, eles criam um terreno fértil para que o medo se instale e permaneça.
Quando o medo segue até a vida adulta
A nictofobia na vida adulta pode se manifestar de formas variadas. A necessidade de dormir com alguma luz acesa, a sensação de ameaça sem motivo claro e os pensamentos catastróficos no silêncio da noite são sinais comuns.
Psicólogos apontam que, nesses casos, o medo costuma refletir questões emocionais que ainda não foram elaboradas. Não se trata de fraqueza, mas de algo que o cérebro ainda não aprendeu a processar de outra forma.
Como enfrentar?
O primeiro passo, segundo especialistas, é reconhecer o medo sem julgamento. Tentar escapar da sensação tende a intensificá-la. Encarar, compreender e acolher o sentimento ajuda a reduzir sua força.
Práticas como respiração consciente antes de dormir, trabalho de autoconhecimento e, quando necessário, acompanhamento terapêutico são caminhos eficazes para quem quer superar a nictofobia.


