Encontrar profissionais qualificados virou um dos maiores desafios do mercado de trabalho brasileiro. Diante disso, empresas de setores como logística, construção civil, tecnologia, mineração e mercado financeiro pararam de esperar o profissional pronto e passaram a formá-lo do zero.
A resposta mais concreta a esse problema tem sido a abertura de programas próprios de capacitação, com cursos gratuitos, trilhas internas de desenvolvimento e parcerias com escolas técnicas. O movimento alcança tanto quem busca o primeiro emprego quanto profissionais em busca de recolocação.
Empresas passaram a abrir portas para quem não tem experiência
No setor de alimentação, o McDonald’s é um dos exemplos mais famosos dessa estratégia. A rede aceita jovens sem experiência anterior, desde que estejam matriculados ou tenham concluído o ensino médio. O restante do aprendizado acontece dentro da própria empresa, ao longo da jornada de trabalho.
Essa lógica transforma a contratação em uma etapa inicial de formação. O modelo reduz a dependência de candidatos já treinados e amplia o leque de recrutamento em um mercado saturado.
Investimento em simuladores e treinamento
Na área de logística, a Portocel mantém um centro de treinamento com simuladores para operações de empilhadeiras, carretas e guindastes. A estrutura atende tanto os próprios empregados quanto profissionais externos que buscam qualificação prática.
A empresa Valor da Logística Integrada (VLI) foi além e consolidou esse modelo em escala corporativa. A empresa reúne mais de 4 mil cursos ativos, entre formações técnicas, capacitações comportamentais, trilhas para lideranças e parcerias de pós-graduação. O alto índice de satisfação registrado indica que a qualificação passou a integrar a estratégia central das operações.
Mineração e construção civil também aplicam cursos gratuitos
Na construção civil, a Obramax abriu 1.200 vagas em cursos gratuitos por meio da Academia de Profissionais, criada em 2018. As formações combinam modalidades presenciais e on-line, com certificado ao final e foco no dia a dia das obras.
A Samarco, em Minas Gerais e no Espírito Santo, investe em capacitação em parceria com instituições de ensino. O foco está na formação de moradores das comunidades próximas e na criação de um banco de talentos para contratações futuras.
A Suzano também mantém iniciativas com recorte regional, incluindo programas de aprendizagem, cursos técnicos e oportunidades voltadas a jovens em áreas operacionais e administrativas.
Além dessa mineração e construção, as áreas de tecnologia e finanças também vêm investindo em cursos. No mercado financeiro, o XP Future funciona como porta de entrada para quem quer migrar para a área de investimentos. O programa estrutura uma trilha de desenvolvimento com suporte para certificações como CPA-20 e CEA.
No caso da área de tecnologia, o investimento vem tendo um foco especial na capacitação de mulheres. O programa Jovem Programadora oferece capacitação gratuita para mulheres interessadas em ingressar no setor. A iniciativa garante 100% de encaminhamento das participantes ao mercado de trabalho.
Mercado reduziu busca por talentos já treinados
O avanço dessas iniciativas mostra que a crise de mão de obra no Brasil vai além da falta de currículos. O problema está na distância entre o que as empresas precisam e o que a formação tradicional entrega.
Em vez de disputar os mesmos profissionais já treinados, cada vez mais companhias optaram por internalizar parte da qualificação. Assim, criam caminhos mais curtos entre o interesse do candidato, o aprendizado e a contratação efetiva. Programas gratuitos, trilhas corporativas e certificações ganharam protagonismo nesse novo modelo.



