Os Correios atravessam a maior crise de sua história. A estatal fechou o primeiro trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões, o maior resultado negativo já registrado para um único trimestre, representando um aumento de 82,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O rombo acumulado no patrimônio líquido da empresa já atinge R$ 16,2 bilhões, cenário que a Ministra da Gestão, Esther Dweck, classificou como o “pior ano” da companhia, embora afirme que a deterioração faz parte de um plano de reestruturação previsto.
Além do rombo, a empresa teve que provisionar mais R$ 1,06 bilhão para cobrir ações judiciais trabalhistas, atendendo a exigências do Tribunal de Contas da União (TCU).
Plano de reestruturação
Para evitar o colapso operacional, o governo e a diretoria dos Correios ativaram um plano de recuperação financiado por um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado pelo Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander. O recurso, com vencimento em 2040, destina-se a renegociar dívidas urgentes.
Especialistas também vêm apontando que a contrapartida exigida para o equilíbrio das contas envolve medidas impopulares e estruturais. O plano prevê o fechamento de 1.000 agências deficitárias e a redução de 15.000 postos de trabalho até 2027 por meio de Planos de Demissão Voluntária (PDV).
A meta é gerar uma economia anual de R$ 2,1 bilhões apenas com a redução da folha de pagamento e despesas operacionais, somada à venda de imóveis ociosos que deve levantar outros R$ 1,5 bilhão.
Perspectivas do governo
Apesar dos números recordes, a ministra Esther Dweck sustentou em entrevista que o cenário era esperado e que o plano segue “à risca”. Segundo ela, a piora contábil imediata reflete o reconhecimento de passivos antigos e o custo inicial do financiamento, mas a trajetória aponta para uma estabilização.
“A proposta de restauração está sendo seguida com resultados positivos, inclusive com a receita superando as expectativas em alguns pontos”, afirmou a ministra.
A projeção oficial da estatal é de que o equilíbrio operacional seja atingido ainda em 2026, com o retorno à lucratividade efetiva ocorrendo apenas em 2027. Contudo, o serviço da dívida do novo empréstimo representará um custo adicional de bilhões de reais ao longo dos próximos 15 anos.
Devido a isso, a empresa ainda estuda a necessidade de captar mais recursos ou receber aportes complementares da União no próximo ano para completar o ciclo de reestruturação de R$ 20 bilhões.




