Às vésperas da cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026, milhares de manifestantes bloquearam a principal avenida de acesso ao Estádio Azteca, palco do jogo inaugural entre México e África do Sul. O protesto, liderado pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) e apoiado por familiares dos desaparecidos de Ayotzinapa, paralisou o trânsito na região sul da capital mexicana.
Por que o bloqueio?
Integrantes da CNTE, estudantes da Normal Rural de Ayotzinapa e familiares de desaparecidos ocuparam a via que confere acesso direto ao estádio, exigindo atenção internacional para suas pautas. Apesar do cerco policial, os manifestantes afirmaram que “pretendem chegar ao estádio” e que não recuarão até serem atendidos.
“O governo deu algumas respostas, mas elas não são nem favoráveis nem satisfatórias. Vamos continuar nossa luta aqui”, declarou Austreberto Flores, professor participante do ato.
Os manifestantes reivindicam diversas pautas, entre elas estão um aumento salarial para os professores, reintegração de docentes demitidos e justiça para os 43 estudantes de Ayotzinapa desaparecidos.
A tensão aumentou após a retenção de 17 ônibus que transportavam estudantes e professores na caseta de pedágio de Tlalpan/Cuernavaca. Segundo a Secretaria de Segurança da Cidade do México, foram confiscados 59 artefatos explosivos caseiros nos veículos. No entanto, a CNTE nega a posse dos materiais.
Resposta do governo
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, classificou as manifestações como uma “provocação” destinada a forçar uma repressão estatal às vésperas do Mundial, mas descartou o uso de força policial violenta.
A resposta governamental foi um esquema de segurança massivo, instalando barreiras de concreto e posicionando milhares de policiais para impedir a aproximação dos manifestantes das áreas estratégicas do torneio.
“Não há problema, a abertura vai acontecer e não vamos cair em nenhuma provocação. A Copa será aproveitada da mesma forma”, afirmou Sheinbaum em coletiva à imprensa.
Quem são os estudantes desaparecidos?
Os 43 estudantes de Ayotzinapa eram jovens do sexo masculino, com idades entre 18 e 21 anos, alunos da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, localizada em Ayotzinapa, no estado de Guerrero, no México.
De acordo com informações da imprensa mexicana, eles desapareceram na noite de 26 para 27 de setembro de 2014, na cidade de Iguala, após serem supostamente atacados por policiais municipais e membros do cartel Guerreros Unidos.
Até o momento, apenas três dos 43 estudantes tiveram seus restos mortais identificados por meio de exames de DNA. Os outros 40 continuam desaparecidos, e seus familiares exigem justiça e verdade, mantendo o slogan “Vivos os levaram, vivos os queremos”.
O caso é considerado um dos mais emblemáticos de desaparecimento forçado e corrupção no México, envolvendo autoridades locais, estaduais e federais.




