Crusoé
21.05.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 415

A guerra que não termina

Seguimos incapazes de controlar o essencial: nós mesmos

avatar
Maristela Basso
4 minutos de leitura 10.04.2026 03:30 comentários 3
A guerra que não termina
Guerra. Inteligência artificial Gemini
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Se Albert Einstein e Sigmund Freud se encontrassem hoje, não teriam muito a celebrar.

Em 1932, às vésperas da catástrofe europeia, eles trocaram cartas tentando responder a uma pergunta que continua nos assombrando: por que a guerra?

Quase um século depois, a resposta permanece — e talvez seja ainda mais inquietante. Porque o mundo mudou. Mas o homem, não.

A ciência avançou a um ponto que Einstein dificilmente poderia imaginar. Inteligência artificial, armas autônomas, vigilância algorítmica, poder destrutivo em escala planetária.

Nunca tivemos tanto controle sobre o mundo exterior.

E, no entanto, seguimos incapazes de controlar o essencial: nós mesmos.

A promessa iluminista — de que mais razão produziria mais paz — não se confirmou.

Ao contrário, a racionalidade técnica passou a conviver com formas cada vez mais sofisticadas de violência.

A guerra não desapareceu. Ela se transformou.

Hoje, ela não está apenas nos campos de batalha. Ela está nas cidades fragmentadas.

Nos discursos públicos degradados.

Na paixão pela mentira.

Na violência difusa que atravessa relações sociais, políticas e até íntimas.

Freud talvez dissesse, sem surpresa, que nada disso é novo.

A civilização, para ele, nunca eliminou a violência — apenas a reprimiu. E aquilo que é reprimido não desaparece: retorna. Às vezes deslocado, às vezes ampliado, quase sempre mais difícil de conter.

O que mudou foi o meio.

Se antes a agressividade encontrava vazão em conflitos armados entre Estados, hoje ela circula também em redes digitais, em massas anônimas, em dinâmicas de exposição e destruição simbólica.

A violência tornou-se mais difusa, mais cotidiana — e, por isso mesmo, mais difícil de nomear e de enfrentar.

Einstein, por sua vez, talvez insistisse em um ponto que se tornou ainda mais urgente: o descompasso entre poder técnico e maturidade moral.

Criamos instrumentos que ampliam exponencialmente nossa capacidade de agir — sem alargar, na mesma medida, nossa capacidade de julgar.

O resultado é um mundo em que a destruição deixou de ser uma possibilidade excepcional para se tornar uma capacidade permanentemente disponível.

E isso muda tudo.

Durante o século 20, ainda era possível sustentar a esperança de que instituições internacionais — como a Organização das Nações Unidas — pudessem conter a guerra por meio do direito.
Hoje, essa crença parece abalada.

Não porque o direito internacional tenha desaparecido, mas porque ele revela, com cada vez mais clareza, seus limites estruturais: depende da adesão dos próprios atores que deveria conter.

Quando essa adesão falha — sobretudo por parte dos mais poderosos —, o sistema não colapsa formalmente, mas perde eficácia real.

É nesse ponto que o diálogo entre Einstein e Freud se torna desconfortavelmente atual.

Einstein apostava na razão, na educação, na construção institucional.

Freud desconfiava de tudo isso.

Para ele, a raiz do problema não era política nem jurídica, mas psíquica: o homem carrega em si uma dimensão destrutiva que nenhuma organização social consegue eliminar por completo.

Se isso for verdade — e os fatos parecem dar razão a Freud —, então a paz não é um estado natural da humanidade.

É uma construção precária.

Uma conquista sempre provisória.

Algo que exige contenção constante — jurídica, política, cultural e, sobretudo, interna.

Talvez o erro do século 20 tenha sido acreditar que a guerra poderia ser superada definitivamente.

Talvez o desafio do século 21 seja mais sóbrio — e mais difícil: não eliminar a violência, mas impedir que ela se torne regra.

Porque, no limite, a questão não é apenas por que as nações entram em guerra.

A questão é outra. Muito mais incômoda.

E muito mais decisiva: quanto de guerra cada sociedade — e cada indivíduo — está disposto a conter dentro de si.

Maristela Basso é professora de direito internacional na USP

Instagram: @maristelabasso.adv

Linkedin: Maristela Basso Advogados

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Reduzir maioridade penal diminui criminalidade?

Duda Teixeira Visualizar

Raúl Castro é indiciado por homicídio nos EUA

Redação Crusoé Visualizar

Família acima de tudo e Brasil no buraco

Duda Teixeira Visualizar

Governo volta a apagar pedido de voto de Lula

Redação Crusoé Visualizar

Europa se prepara para presença menor dos EUA na Otan

José Inácio Pilar Visualizar

Xi Jinping deixa clara sua preferência por Putin

Duda Teixeira Visualizar

Mais Lidas

A alternativa Barbosa e a falência da política brasileira

A alternativa Barbosa e a falência da política brasileira

Visualizar notícia
A projeção de Kassab para Raquel Lyra

A projeção de Kassab para Raquel Lyra

Visualizar notícia
AtlasIntel errou ao reproduzir áudio de Flávio a Vorcaro?

AtlasIntel errou ao reproduzir áudio de Flávio a Vorcaro?

Visualizar notícia
Contaminado

Contaminado

Visualizar notícia
"Disparei na Atlas", comemora Renan Santos

"Disparei na Atlas", comemora Renan Santos

Visualizar notícia
E se Flávio Bolsonaro não for candidato?

E se Flávio Bolsonaro não for candidato?

Visualizar notícia
Europa se prepara para presença menor dos EUA na Otan

Europa se prepara para presença menor dos EUA na Otan

Visualizar notícia
Família acima de tudo e Brasil no buraco

Família acima de tudo e Brasil no buraco

Visualizar notícia
Governo dos EUA barra novas auditorias fiscais contra família Trump

Governo dos EUA barra novas auditorias fiscais contra família Trump

Visualizar notícia
Governo volta a apagar pedido de voto de Lula

Governo volta a apagar pedido de voto de Lula

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Albert Einstein

Guerra

Sigmund Freud

< Notícia Anterior

O que acontece com o Rio de Janeiro?

03.04.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Como uma democracia iliberal morre

17.04.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Maristela Basso

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Carlos Renato Cardoso da Costa

2026-04-15 15:51:43

O conflito é inerente à vida animal. Somos melhores em entendermos a necessidade de moderá-lo e contê-lo. Sonhar em eliminá-lo é utópico.


Clayton de Souza Pontes

2026-04-11 22:43:45

Pontos interessantes


Albino Clarel Bonomi

2026-04-10 07:37:40

Excelente análise!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Carlos Renato Cardoso da Costa

2026-04-15 15:51:43

O conflito é inerente à vida animal. Somos melhores em entendermos a necessidade de moderá-lo e contê-lo. Sonhar em eliminá-lo é utópico.


Clayton de Souza Pontes

2026-04-11 22:43:45

Pontos interessantes


Albino Clarel Bonomi

2026-04-10 07:37:40

Excelente análise!



Notícias relacionadas

Cannes: um espectro ronda os festivais

Cannes: um espectro ronda os festivais

Josias Teófilo
15.05.2026 10:09 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
A política depois da verdade

A política depois da verdade

Maristela Basso
15.05.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Futebol pornográfico

Futebol pornográfico

Rodolfo Borges
15.05.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
O custo do hiperindividualismo feminino e o temor à maternidade

O custo do hiperindividualismo feminino e o temor à maternidade

Letícia Barros
15.05.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Pix vai ajudar brasileiros no adiantamento da restituição do Imposto de Renda

Pix vai ajudar brasileiros no adiantamento da restituição do Imposto de Renda

Visualizar notícia
Cuidados essenciais para quem vai acompanhar a Copa do Mundo nos Estados Unidos

Cuidados essenciais para quem vai acompanhar a Copa do Mundo nos Estados Unidos

Visualizar notícia
Cantora brasileira faz lançamento mundial e está confirmada em show de abertura da Copa

Cantora brasileira faz lançamento mundial e está confirmada em show de abertura da Copa

Visualizar notícia
Conta de luz ficará mais barata após decisão da Aneel

Conta de luz ficará mais barata após decisão da Aneel

Visualizar notícia
Multa milionária obriga pais a parar com ensino domiciliar e matricular filhos na escola

Multa milionária obriga pais a parar com ensino domiciliar e matricular filhos na escola

Visualizar notícia
Shopee vai instalar novo megacentro de distribuição em posição estratégica no Brasil

Shopee vai instalar novo megacentro de distribuição em posição estratégica no Brasil

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso