Crusoé
10.06.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 398

Mainardi não vai para o céu

O livro "Meus Mortos" pode ser lido como o epitáfio adiado de um homem cínico, que se despede dos seus antes da hora

avatar
Gustavo Nogy
3 minutos de leitura 12.12.2025 03:30 comentários 7
Mainardi não vai para o céu
Diogo Mainardi. Reprodução/redes sociais
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Diogo Mainardi é um homem de muitas existências e de muitas desistências.

Foi estudante da London School of Economics e logo saiu da universidade. Depois de se graduar e pós-graduar no que interessava, sob a (des)orientação do Ivan Lessa, aproveitou o embalo, seguiu o bom mau exemplo do mestre e foi embora do Brasil.

Escreveu e produziu filmes, mas desistiu do cinema. Depois de publicar Malthus, Arquipélago, Polígono das Secas e Contra o Brasil, mandou a literatura às favas.

Para enganar o tédio, virou o colunista mais influente da Veja.

O tempo passou, o país parou e ele se cansou da influência, do colunismo e da Veja.

Falou tudo o que quis, até que não quisesse falar mais nada no Manhattan Connection.

Fundou O Antagonista e encheu o saco do jornalismo chapa-branca, enquanto se enchia da imprensa, da política, dos leitores.

Até do Lula, de quem foi o melhor inimigo, ele desistiu.

Primeiro com A Queda, em que conta a história, entre outras histórias, do erro médico que fez seu filho Tito nascer com paralisia cerebral, e agora com Meus Mortos, em que perambula por Veneza com o filho Nico e o cachorro Palmiro, Mainardi parece ter abandonado qualquer esperança.

Sem o peso da esperança, pode continuar.

Como um materialista que tivesse fé no espírito artístico, como um budista a quem irritassem as iluminações, ele faz do seu livro um hilário álbum de retratos em que se mostra e se esconde por meio da pintura de Tiziano, das saudades do irmão, dos desencontros com o pai, das cinzas da mãe.

Ele sabe que somos feitos dos mortos e dos vivos que nos habitam e que habitamos.

A opção retrô – e experimental – pela fotonovela causa estranheza a princípio, mas é uma ótima solução formal. Mainardi junta o cômico e o melancólico, o factual e o ficcional, o histórico e o biográfico, a arte e a peste para costurar, se possível for, algumas porções de sentido em meio ao absurdo.

O livro pode ser lido como o epitáfio adiado de um homem cínico, que se despede dos seus antes da hora, porque nunca se sabe quando chega a hora. Mas também pode ser lido como a saudação de um homem que, depois de desistir da vida, resolveu desistir da morte. Só pra ver o que será.

Gustavo Nogy é escritor

X: @GustavoNogy

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Janja explica por que Lula não vai à missa

Duda Teixeira Visualizar

"Estamos de volta", diz Witzel

Redação Crusoé Visualizar

"Preferimos a linguagem da diplomacia, mas falamos outras línguas com mais fluência"

Redação Crusoé Visualizar

Quando a dor dos outros vira entretenimento

Maristela Basso Visualizar

Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Duda Teixeira Visualizar

Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

As menções a Toffoli no relatório que embasa pedido de tarifa

As menções a Toffoli no relatório que embasa pedido de tarifa

Visualizar notícia
Campanha artificial

Campanha artificial

Visualizar notícia
Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Visualizar notícia
Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Visualizar notícia
Do mar ao céu

Do mar ao céu

Visualizar notícia
"Estamos de volta", diz Witzel

"Estamos de volta", diz Witzel

Visualizar notícia
Janja explica por que Lula não vai à missa

Janja explica por que Lula não vai à missa

Visualizar notícia
Mais um fiasco para Datena?

Mais um fiasco para Datena?

Visualizar notícia
O golpe da maioridade

O golpe da maioridade

Visualizar notícia
Os influenciadores do crime

Os influenciadores do crime

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Diogo Mainardi

literatura

< Notícia Anterior

A degeneração das repúblicas e o fim da liberdade

05.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Pêndulo para a direita

19.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Gustavo Nogy

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (7)

Lilian Ermida

2025-12-14 22:42:01

O livro é muito, muito bom!!!


Leila Sibele Pilger Glufke

2025-12-14 18:25:45

Excelente! Gosto muito do Mainardi, há muito tempo


Marcia

2025-12-14 08:57:38

Mainardi deixa muita saudades pelo seu trabalho e por ser o que é. Desejo a ele vida longa ainda que ele já exalte a morte.


Glecy Bragazzi Borja

2025-12-13 16:38:51

L I N D O !!!!


Denise Pereira da Silva

2025-12-12 21:24:42

Que texto lindo, Gustavo Nogy. Sensível e comovente. Captou muito bom o espírito irrequieto e indomável de Diogo Mainardi, ser humano que muito admiro e a quem desejo tudo de bom no entender do mesmo.


Avelar Menezes Gomes

2025-12-12 17:25:07

Esse negocio de desistir da morte, será que funciona ?


Albino

2025-12-12 08:05:39

Cacilda!!!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (7)

Lilian Ermida

2025-12-14 22:42:01

O livro é muito, muito bom!!!


Leila Sibele Pilger Glufke

2025-12-14 18:25:45

Excelente! Gosto muito do Mainardi, há muito tempo


Marcia

2025-12-14 08:57:38

Mainardi deixa muita saudades pelo seu trabalho e por ser o que é. Desejo a ele vida longa ainda que ele já exalte a morte.


Glecy Bragazzi Borja

2025-12-13 16:38:51

L I N D O !!!!


Denise Pereira da Silva

2025-12-12 21:24:42

Que texto lindo, Gustavo Nogy. Sensível e comovente. Captou muito bom o espírito irrequieto e indomável de Diogo Mainardi, ser humano que muito admiro e a quem desejo tudo de bom no entender do mesmo.


Avelar Menezes Gomes

2025-12-12 17:25:07

Esse negocio de desistir da morte, será que funciona ?


Albino

2025-12-12 08:05:39

Cacilda!!!



Notícias relacionadas

Do mar ao céu

Do mar ao céu

Josias Teófilo
05.06.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
A democracia sobrevive quando ninguém mais quer enxergar?

A democracia sobrevive quando ninguém mais quer enxergar?

Maristela Basso
05.06.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
A cobrança social de um país real

A cobrança social de um país real

Wilson Pedroso
05.06.2026 03:30 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
O que nos faz calar?

O que nos faz calar?

Maristela Basso
29.05.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso