Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado
Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral interferiu nas eleições, quase sempre beneficiando o candidato Lula
Sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interferiu nas eleições de 2022, censurando contas e derrubando conteúdos — quase sempre favorecendo a candidatura de Lula.
Um documentário feito pela produtora Brasil Paralelo sobre a facada em Jair Bolsonaro não pôde ser exibido antes do segundo turno.
Os magistrados tomaram a decisão sem nem sequer assistir ao seu conteúdo antes.
Reportagens falando da conhecida amizade entre Lula e o ditador nicaraguense Daniel Ortega tiveram de ser tiradas do ar.
Este ano, o novo presidente do TSE, Nunes Marques, decidiu seguir a linha autoritária de Xandão, mas com o sinal trocado.
Indicado por Jair Bolsonaro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques censurou uma pesquisa da AtlasIntel que mostrou a queda do pré-candidato Flávio Bolsonaro após a divulgação dos áudios em que o senador conversa com Daniel Vorcaro, do banco Master.
A ordem de remoção ainda citou opiniões dadas pelo CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, em uma entrevista para a CNN.
Não apenas não há nada errado com a pesquisa, que foi validada por outros institutos, como Roman tem total liberdade para faze suas análises em público.
A censura de Nunes Marques não evitará que os resultados da pesquisa sejam comentados. Muito pelo contrário. O assunto voltou com força graças a ele.
Mas seu potencial destrutivo é muito maior.
O primeiro impacto é na imagem do TSE, que já vinha desgastada.
Com Xandão ou Nunes Marques, o que temos é uma Corte que interfere nas eleições segundo as preferências pessoais dos seus magistrados.
Isso é péssimo para um tribunal que terá julgamentos importantes pela frente, como um pedido de inelegibilidade de Lula por causa do patrocínio estatal à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente com dinheiro público no Carnaval.
O tribunal de Nunes Marques estará à altura desse desafio?
Ao enfraquecer a Corte eleitoral, Nunes Marques ainda deve estimular que ministros do STF, que não integram o quadro do TSE, tomem decisões sobre o processo eleitoral, por iniciativa própria, contornando malandramente o TSE.
Gilmar Mendes quer punir o pré-candidato do Novo, Romeu Zema, por um vídeo feito com bonecos satirizando o decano.
Flávio Dino manteve na semana passada a remoção de vídeos de um vereador de Manaus que criticou o ex-prefeito da cidade.
Com Nunes Marques, Alexandre de Moraes mostra que fez escola.
As nossas instituições democráticas e as nossas liberdades pessoais que se cuidem.
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