Foto: Elza Fiuza/Agência BrasilMarcio Pochmann, o futuro manda-chuva do IBGE: ruim até para os baixíssimos padrões da Economia da Unicamp

Thriller 2: os zumbis de Lula estão de volta

28.07.23

Começo contando a vocês uma historinha sobre estatística. Mais de 20 anos atrás, quando o país ainda era governado por Fernando Henrique Cardoso, traidor neoliberal e lacaio do Consenso de Washington, a Folha publicou um (abre muitas aspas) “””estudo””” (fecha muitas aspas) que apontava o Brasil como “segundo do mundo em desemprego”. Você começava a ler a reportagem e ela explicava que esse segundo lugar era em números absolutos — com 11,4 milhões de desempregados, o Bananão só perdia para os 41,3 milhões da Índia.

Qualquer pessoa que tenha tido um mínimo de contato com a matemática e o bom senso percebe que essa é uma estatística burra, facilmente conversível no seu contrário: em “números absolutos”, também devemos ter mais milionários e bilionários do que a Suíça ou a Noruega, o que não move nosso IDH nem um milímetro para cima. O certo, que é o que os especialistas sérios sempre fizeram, é expressar o número de desempregados (ou de bilionários) como proporção da população de um país, ou da sua População Economicamente Ativa. Aí, sim, você passa a ter uma estatística que serve para algo — quer dizer, algo que não seja simplesmente fabricar uns números aí para bater em um governo malvado.

Aperte o botão fast-forward de 2002 para 2023: eis que o gênio matemático responsável por esse estudo — Marcio Pochmann, então secretário do Trabalho na gestão municipal do PT em São Paulo — é agora o indicado de Lula para presidir o IBGE, justamente o órgão do governo federal cuja funçáo é produzir… estatísticas. “Indicado” é um óbvio eufemismo aí: Sua Lulidade quis porque quis um petista caninamente fiel e mandou ver no dedazo. E Simone Tebet, a ministra do Planejamento, pasta à qual em tese o IBGE é subordinado, teve de engolir.

Pochmann, é claro, não ficou quieto no seu canto maquinando ideias geniais nesses 21 anos: no segundo mandato de Lula e em parte do primeiro de Dilma Rousseff, foi um presidente do Ipea notório pelo expurgo de técnicos que não rezassem pela cartilha petista e por tentar interferir nas pesquisas do instituto. Candidatou-se duas vezes à prefeitura de Campinas e uma à Câmara Federal, fracassando em todas. E ainda nos presenteia diariamente nas redes sociais com seu pensamento vivo, reclamando de coisas que deram certo, como o Pix (seus puxa-sacos nos asseguram de que ele é “fanático por inovação”; nota-se), ou dizendo que o Brasil precisa de mais investimento público em relação ao PIB para ficar à altura de grandes potências como o Haiti e a Nicarágua. Ou seja, o futuro manda-chuva do IBGE é uma das melhores razões para acreditar que o bombardeio do Departamento de Economia da Unicamp faria nosso PIB bombar.

Como se não bastasse, há rumores de que o governo pretende emplacar o glorioso Guido Mantega, sério candidato a pior ministro da Fazenda da história do Bananão, na presidência da Vale, após já ter levado a não menos gloriosa Dilma Rousseff ao comando do banco dos Brics. Ou seja, pouco a pouco todos os responsáveis por nossa pior recessão em décadas — que não conseguimos repetir nem com uma pandemia e o desastre natural que foi Jair Bolsonaro no Planalto — vão sendo retirados das tumbas. E por que Lula, o pragmático, está fazendo isso? Ora, porque Sua Lulidade quer. Porque pode. Porque é rancorosah, está com sede de vingança e faz absoluta questão de esfregar Dilmas, Mantegas e Pochmanns na cara de todo mundo. Porque senão, já viu: o Bolsonaro volta.

Escrevi mais de uma vez por aqui que comédia, para ser engraçada, depende de uma certa distância sanitária entre você e o motivo do riso (na imortal formulação de Mel Brooks: “tragédia é quando eu corto meu dedo, comédia é quando você cai num esgoto a céu aberto e morre”). O governo Lula parece decididamente disposto a promover um Thriller 2, e nós não somos o Michael Jackson comendo pipoca: ao contrário, é o Efelentífimo que acumula os papéis de Maicon pipoqueiro e líder da horda de zumbis. Os alvos somos nozes. No one’s gonna save us from the beast about to strike: solta aí a risada do Vincent Price.

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A GOIABICE DA SEMANA

Já disse que minha condição de pobre vocacional não me permite compreender como Elon Musk (foto), adolescente bobão de 52 anos, consegue ser o homem mais rico do mundo. A última da crise de meia-idade do sujeito foi transformar o clássico logo do passarinho do Twitter em um X, mas parece que ele já se entediou (a vida dos megabilionários é muito tediosa) e quer voltar atrás. Talvez alguém tenha avisado que deu supercerto com as empresas do Eike Batista.

 

Reprodução/Twitter

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