Xandão e EUA viram cabos eleitorais
Em uma eleição polarizada, é mais fácil ganhar votos apelando para o ódio e para o medo do que mostrando as boas qualidades de seu candidato
Bastou que um vídeo de Jair Bolsonaro feito por inteligência artificial aparecesse na convenção do Partido Liberal (PL) no sábado, 25, para que pessoas da plateia começassem a especular: "Vai dar problema com o Xandão".
Não importava o que o Jair de IA disse ("Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio").
Ninguém comentou as frases do avatar.
Importava o impacto que a aparição de IA teria no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Lixo careca
No mesmo evento, o presidente da Argentina, Javier Milei, criticou Moraes, em um discurso aprovado antecipadamente pelos caciques do PL.
"Aquele lixo careca não me permitiu visitar meu amigo [Jair Bolsonaro] injustamente preso, sendo que eu sei que o Lula cansou de receber dirigentes do exterior quando estava na prisão, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández. Isso não passa de uma clara demonstração da injustiça de sua prisão e de seu evidente caráter vingativo", afirmou o presidente Milei.
Rejeição
Moraes é o magistrado mais odiado no STF, depois de Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Sua rejeição atinge 59%, em pesquisa da Atlas Intel de março.
Na lógica do bolsonarismo, faz sentido usar Xandão para ganhar votos.
O PT usa estratégia parecida, ao colocar na campanha o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula e a esquerda estão surfando na onda do antiamericanismo e do incômodo provocado pelos dois tarifaços recentes para conquistar eleitores.
Quando o presidente esteve na convenção do PDT, partido que apoia o presidente, o ex-ministro Carlos Lupi afirmou:
"Tem que estar claro para a sociedade que o Trump é o grande mal da sociedade moderna. É o que persegue, que faz guerra com interesse financeiro atrás e está fazendo do mundo uma destruição permanente dos princípios democráticos que a humanidade levou anos para conquistar. Lula pode representar a antítese do que Trump representa", afirmou Lupi.
Em uma eleição polarizada como esta, é mais fácil ganhar votos apelando para o ódio e para o medo do que mostrando as boas qualidades de seu candidato.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)