Rodrigo Valadares quer barrar perdão judicial após caso Henry Borel
Projeto foi apresentado após a Justiça conceder perdão judicial a Monique Medeiros, condenada por homicídio culposo e tortura por omissão na morte do filho
O deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE) apresentou um projeto de lei para proibir a concessão de graça, indulto, anistia, comutação de pena e perdão judicial em crimes praticados contra crianças menores de 12 anos.
A proposta foi protocolada após a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, condenada por homicídio culposo e tortura por omissão no caso da morte de Henry Borel.
O texto altera dispositivos do Código Penal, da Lei dos Crimes Hediondos e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para impedir a aplicação de mecanismos de clemência penal quando a vítima for criança. A vedação alcança crimes dolosos e culposos, consumados ou tentados, praticados por ação ou omissão.
Na justificativa, Valadares afirma que o julgamento do caso Henry revelou uma lacuna na legislação. Segundo o parlamentar, a possibilidade de afastamento da punição em crimes contra crianças enfraquece a resposta do Estado diante de condutas de elevada gravidade.
“O perdão judicial pode esvaziar por completo a resposta penal a um crime cuja vítima foi uma criança de quatro anos”, argumenta o deputado.
A proposta também cita manifestações de Leniel Borel, que criticou a decisão judicial envolvendo Monique Medeiros.
Um dos pontos centrais do projeto é estender a proibição aos crimes culposos, hipótese normalmente não alcançada pelas restrições mais severas previstas na legislação penal. Para o autor, a condição de vulnerabilidade das crianças justifica tratamento mais rigoroso, especialmente em casos de omissão por parte de responsáveis legais.
O projeto começará a tramitar nas comissões da Câmara antes de eventual análise pelo plenário da Casa.
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