A Federação Italiana de Futebol (FIGC) oficializou nesta semana o retorno de Roberto Mancini ao comando da Seleção Italiana. A nomeação encerra uma semana de turbulência institucional marcada pelo veto à contratação do campeão mundial Andrea Pirlo e pela renúncia relâmpago da dupla Paolo Maldini e Leonardo, que deixaram a federação após apenas 16 dias no cargo.
Fim da novela com Pirlo
A contratação de Mancini surge como solução de emergência após o colapso da negociação com Andrea Pirlo, vencedor da Copa de 2006. Pirlo era o candidato preferido da nova direção técnica, mas teve seu nome barrado pelo presidente da FIGC, Giovanni Malagò, devido a um vínculo comercial com a Fonbet, uma casa de apostas sediada na Rússia.
Em meio ao contexto de guerra na Ucrânia e às sanções internacionais, Malagò considerou a posição de embaixador global de Pirlo na empresa russa incompatível com a imagem da seleção.
Após ser barrado, Pirlo se defendeu em nota, afirmando que seu contrato era “exclusivamente comercial e esportivo”, mas a pressão política prevaleceu, levando ao seu afastamento.
Renúncia relâmpago
A imposição do veto desencadeou uma crise imediata na estrutura da federação. Em protesto contra a interferência de Malagò no processo de escolha do treinador, o diretor técnico Paolo Maldini e seu assessor Leonardo apresentaram seus pedidos de demissão na segunda-feira (27).
A saída da dupla, ambos ícones do futebol italiano e ex-colegas de Pirlo no Milan, deixou a FIGC sem sua recém-empossada liderança técnica. Malagò classificou a saída como uma decisão consensual, admitindo que precisava de uma direção que compartilhasse sua visão sobre a escolha do treinador.
Retorno de Mancini
Para preencher o vácuo deixado pelas renúncias e comandar a equipe, a FIGC apostou na experiência. Roberto Mancini, que já treinou a Azzurra entre 2018 e 2023, assume pela segunda vez. Ele chega após passagens pela Arábia Saudita e pelo Al Sadd, no Catar.
Além de Mancini, a federação anunciou a contratação de Claudio Ranieri como novo diretor técnico, cargo anteriormente ocupado por Maldini. Ranieri, campeão inglês pelo Leicester City, chega com a missão de estabilizar a estrutura administrativa e auxiliar na reconstrução do futebol nacional.
Três Copas seguidas sem Itália
A nova comissão técnica assume a seleção em seu momento mais sombrio das últimas décadas. A Itália tornou-se a primeira tetracampeã mundial da história a ficar de fora de três Copas do Mundo consecutivas (2018, 2022 e 2026).
O fracasso foi selado em março passado, quando a equipe, então comandada por Gennaro Gattuso, perdeu nos pênaltis para a Bósnia e Herzegovina nas eliminatórias para o Mundial de 2026.
A derrota gerou uma onda de demissões na federação, incluindo a do então presidente Gabriele Gravina, abrindo caminho para a atual gestão de Malagò, que agora deposita em Mancini e Ranieri a esperança de interromper o ciclo de fracassos e classificar a equipe para a Eurocopa de 2028.







