UE vai investigar FIFA em negócio bilionário ligado à família de Trump
Infantino deixou claro às federações que quem não apoiar o plano da FIFA terá acesso a valores bem menores a partir de 2027
A FIFA anunciou nesta semana a criação de uma nova empresa comercial, batizada de FIFA Forward Enterprise, que reunirá direitos de transmissão, patrocínio, bilheteria e licenciamento de seus torneios, incluindo a Copa do Mundo masculina.
A entidade pretende vender cerca de 20% de participação nessa subsidiária a investidores externos, em uma operação que avalia o negócio em 20 bilhões de dólares. As negociações estão avançadas com a gestora Thrive Eternal, ligada a Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump. A operação é assessorada pela JP Morgan.
A FIFA manterá o controle majoritário da nova empresa e a autoridade exclusiva sobre governança, competições, calendário e todas as decisões regulatórias e esportivas.
O objetivo é capitalizar o sucesso comercial do último Mundial, que ajudou a FIFA a faturar ao menos 13 bilhões de dólares no ciclo de quatro anos encerrado em 2026.
A ideia não agradou muita gente. A União Europeia informou que vai investigar a proposta sob suas regras de concorrência, com o comissário de Esporte, Glenn Micallef, afirmando que o plano levanta questões profundas sobre governança, independência e conflitos de interesse entre os poderes regulatórios da FIFA e os interesses financeiros de investidores privados.
A UEFA classificou a iniciativa como algo que cruza uma linha inaceitável, enquanto a Concacaf, que reúne 41 das 211 federações filiadas à FIFA, disse estar profundamente incomodada com a falta de diálogo prévio. A Confederação Asiática também lamentou não ter sido consultada.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e a federação inglesa criticaram publicamente a proposta, e parlamentares democratas nos Estados Unidos associaram o negócio à relação de Gianni Infantino com a família Trump. Grupos de torcedores e uma entidade que representa mais de 850 clubes europeus também manifestaram preocupação e já se discute até a possibilidade de um boicote à próxima Copa do Mundo.
Pelo plano, os recursos arrecadados elevariam o repasse anual a cada federação de 2 milhões para 5 milhões de dólares, além de um pagamento único de 20 milhões, e ampliariam o investimento total em desenvolvimento do futebol de 4 bilhões para 10 bilhões de dólares nos próximos quatro anos.
Infantino deixou claro às federações que quem não apoiar o plano da FIFA terá acesso a valores bem menores a partir de 2027, em torno de 10 milhões de dólares, em vez do pacote potencial de até 40 milhões.
As federações têm até 19 de setembro para aprovar ou rejeitar a proposta em votação por maioria simples, com decisão final a cargo do Conselho da FIFA.
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