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Diários

Profissional prefere salário maior a jornada reduzida, diz CNI

Para 28,7% dos entrevistados em pesquisa divulgada pela entidade, o salário é o principal diferencial da ocupação desejada

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Guilherme Resck
4 minutos de leitura 05.06.2026 12:29 comentários 0
Profissional prefere salário maior a jornada reduzida, diz CNI
Foto: CNI/José Paulo Lacerda
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Os fatores mais valorizados na profissão que o trabalhador brasileiro quer exercer nos próximos cinco anos são salário, estabilidade e perspectiva de crescimento, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira, 5.

Trata-se da 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: futuro profissional. Para 28,7% dos entrevistados, o salário é o principal diferencial da ocupação desejada. Outros 22,4% apontaram a estabilidade no emprego, enquanto 20,1% disseram ser a perspectiva de crescimento na carreira.

Esses fatores superaram, por exemplo, a flexibilidade do horário de trabalho (19,3%) a possibilidade de trabalhar de casa/home office (15,9%) e a jornada de trabalho reduzida (9,8%).

“Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada", diz Claudia Perdigão, especialista em políticas e indústria da CNI.

"Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo”, acrescenta.

A pesquisa consultou os trabalhadores também sobre os obstáculos para alcançar seus objetivos profissionais.

Para 22% dos entrevistados, o maior obstáculo é a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições. Já para 17,6%, é a falta de experiência prática suficiente, enquanto 16,9% citaram a falta de oferta de cursos de formação exigidos pelo mercado na região onde vivem.

A necessidade de cuidar de parentes (16,1%); falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%); falta de informação sobre vagas disponíveis (11,9%); e discriminação por parte dos empregadores (8,3%) completam a lista dos principais obstáculos para a profissão desejada.

Como será o futuro?

Ainda de acordo com a pesquisa, cerca de 43% dos brasileiros não sabem dizer em qual profissão se veem daqui a cinco anos. A insegurança em relação ao futuro profissional é maior entre os trabalhadores mais velhos.

"Esse cenário de dúvida que recai sobre uma parcela muito grande dos trabalhadores brasileiros acaba sendo explicado, sobretudo, por essas inovações tecnológicas, que trazem preocupação com relação à adaptação do trabalho a essas tecnologias”, diz Claudia Perdigão.

Cerca de 14% dos que responderam em qual ocupação se veem daqui a cinco anos querem ter seu próprio negócio - os destaques são o comércio varejista e serviços como salão de cabelereiro, bares e restaurantes.

Habilidades digitais

Outro dado da pesquisa é que pouco mais de 54% da população apresenta domínio alto ou médio-alto de habilidades digitais.

O percentual cai para 44,5% quando se trata de domínio alto ou médio-alto de habilidades digitais complexas, como o uso de inteligência artificial (IA), planilhas e configurações de computadores, aplicativos e programas.

“Os resultados revelam um cenário marcado por contrastes: de um lado, trabalhadores satisfeitos com suas ocupações e pouco dispostos a mudar de emprego; de outro, um ambiente de rápidas mudanças tecnológicas que gera incertezas sobre os próximos passos da trajetória profissional”, pontua Perdigão.

A pesquisa foi feita pela Nexus. Foram entrevistadas 2.008 pessoas a partir de 16 anos, nos 26 estados e no Distrito Federal, de 10 e 15 de outubro de 2025.

O levantamento foi divulgado num momento em que o Congresso Nacional discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz o limite máximo da jornada de trabalho semanal das atuais 44 horas para 40 horas e acaba com a escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso no país.

A CNI vem alertando para os riscos da PEC para a economia do Brasil.

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