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Por que os terroristas do Hamas amam Lula

18.02.24 18:23

O grupo terrorista Hamas agradeceu ao presidente Lula (foto) pelas declarações que ele deu na Etiópia comparando a operação israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial.

Nós do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) apreciamos a declaração do presidente brasileiro Lula da Silva, que descreveu aquilo a que nosso povo palestino está exposto na Faixa de Gaza como um Holocausto, e que a ação de sionistas hoje em Gaza é a mesma que Hitler fez“, diz o comunicado dos terroristas. “Esta declaração surge no contexto de uma descrição precisa daquilo a que o nosso povo está exposto e revela a enormidade do crime sionista cometido com cobertura e apoio aberto da administração americana pelo presidente Joe Biden.”

Esta não foi a primeira vez em que o Hamas se alegra com Lula.

Quando o petista foi eleito no final de 2022, o Hamas soltou uma nota parabenizando Lula, a quem eles chamaram de “lutador pela liberdade“.

É uma relação antiga.

No segundo ano do primeiro mandato de Lula, em 2004, o Itamaraty, sob o comando de Celso Amorim, publicou uma nota condenando o assassinato do “líder espiritual” do Hamas, Ahmed Yassin.

Yassin foi morto por um helicóptero do Exército israelense quando saía de uma mesquita em Gaza. Ele foi responsável por vários atentados contra israelenses e por ordenar a morte de palestinos, suspeitos de cooperarem com militares de Israel.

Em 2010, já no seu segundo mandato, Lula pediu negociações de paz com os terroristas do Hamas e do libanês Hezbollah.

É preciso colocar todo mundo em uma mesa de negociação. Quem está conversando com o Hamas, quem está conversando com o Hezbollah, quem está conversando com a Síria, quem está conversando com o Irã? Como é que você vai construir a paz, se têm pessoas envolvidas no conflito que estão de fora? Já são considerados como bandidos e não se conversam“, disse Lula.

O Hamas ama Lula porque o atual presidente enxerga o grupo como um legítimo representante do povo palestino.

Lula não vê que o Hamas tomou o poder em Gaza em um sangrento golpe de Estado, em 2006, jogando rivais da cobertura de prédios. Desde então, os terroristas comandam o enclave de maneira brutal, prendendo e matando qualquer suposto espião e proibindo toda oposição. Toda a população foi obrigada a seguir as restritas regras islâmicas, o que impede, por exemplo, que um casal de namorados cristãos caminhe na calçada ou vá ao cinema (que foi incendiado). Todo dinheiro que eles recebem de países como o Catar ou o Irã vai para armar os terroristas, e não para melhorar a vida dos palestinos.

O presidente brasileiro é incapaz de distinguir os interesses do povo palestino e os do Hamas, assim como acredita que Daniel Ortega é um legítimo representante dos nicaraguenses, Maduro o é dos venezuelanos, Miguel Díaz-Canel dos cubanos e Putin dos russos. Se alguém apontar o contrário, Lula está sempre pronto para defender a não intervenção e apoiar o que na sua visão é a “autodeterminação dos povos“.

O Hamas ainda é grato a Lula por ele deslegitimar o Estado de Israel e seu esforço de guerra para derrotar o Hamas. Como Israel é aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, o petista não pensa duas vezes para condenar a ambos.

Para o Hamas, o presidente brasileiro não poderia ser mais providencial: defende o poder que o grupo exerce sobre os palestinos e ainda critica o seu maior inimigo.

É natural, portanto, que os terroristas de vez em quando publiquem uma cartinha para agradecer tanta benevolência.

Esta foi a última. Mas haverá outras.

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