PGR contraria PF e tenta aprofundar inquérito que mira senador do dinheiro na cueca
A Procuradoria-Geral da República discordou do relatório entregue pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal com a conclusão do inquérito que mira o senador Chico Rodrigues (foto), flagrado com dinheiro entre as nádegas, e defendeu o aprofundamento da investigação. Número dois do órgão, o subprocurador Humberto Jacques afirmou que a continuidade é necessária para "evitar...

A Procuradoria-Geral da República discordou do relatório entregue pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal com a conclusão do inquérito que mira o senador Chico Rodrigues (foto), flagrado com dinheiro entre as nádegas, e defendeu o aprofundamento da investigação. Número dois do órgão, o subprocurador Humberto Jacques afirmou que a continuidade é necessária para "evitar que fatos supostamente ilícitos fiquem sem apuração".
A PF indiciou Chico Rodrigues em agosto pela suposta participação em um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas ao combate à pandemia em Roraima. Os investigadores imputaram ao senador a prática dos crimes de peculato, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e embaraço às investigações, além de fraude a licitação.
Relator da Operação Desvid-19 no STF, o ministro Luís Roberto Barroso remeteu o caso à PGR. Em resposta, Humberto Jacques apontou lacunas no inquérito e sugeriu novas medidas de investigação, até mesmo para evitar que a defesa do senador eventualmente alegue a nulidade do processo. "A conclusão (da PF) não afasta a necessidade de agregar aos elementos de prova carreados aos autos outras informações úteis, capazes de tornar mais robustos os indícios de autoria e a prova da materialidade", argumentou.
Um dos eixos da apuração mira fraudes em contratos para a aquisição de kits de testes rápidos voltados à detecção do coronavírus. A PGR sugeriu, por exemplo, que a PF ouça o governador de Roraima, Antonio Denarium, sobre a suposta influência de Chico Rodrigues na gestão estadual. Além disso, o órgão quer que o delegado que preside o inquérito tome novo depoimento de Francisvaldo Paixão, delator do suposto esquema, e que os investigadores aguardem novas informações sobre o processo licitatório, pendente de envio pela Secretaria de Estado de Saúde.
Em outra ponta, a PGR entende que a PF deve mergulhar no braço da investigação relativo ao episódio em que Chico Rodrigues interveio junto ao Ministério da Defesa para viabilizar o uso de um avião da Força Aérea Brasileira pela Quantum Empreendimentos, empresa ligada a ele, para a entrega de equipamentos de proteção individual comprados pelo governo.
Jacques avaliou ser preciso perguntar ao ministério o custo e a origem do dinheiro que financiou o voo, além de exigir que a pasta explique se a empresa ressarciu a União pelo transporte.
Diante de dezenas de novas diligências, a PGR ainda orientou a PF a indagar à defesa de Chico Rodrigues se o senador deseja prestar novo depoimento. Para Humberto Jacques, a medida é necessária, sobretudo, porque uma gravação mostra que o primeiro interrogatório do senador foi interrompido "abruptamente" pelo delegado que o ouvia, enquanto o parlamentar ainda falava.
"A interrupção da oitiva do parlamentar pode ter prejudicado o esclarecimento dos fatos supostamente ilícitos apurados nesta investigação. Lado outro, o encerramento antecipado do ato pode ter acarretado cerceamento ao direito de defesa", pontuou.
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Comentários (9)
MARCOS
2021-12-28 23:47:09Que coisa nojenta - dinheiro entre as nádegas. É o cúmulo da cachorrada.
Carlos Renato Cardoso da Costa
2021-12-28 17:56:26A princípio parece bom "aprofundar a investigação". porém, conhecendo como (não) age a PGR, certamente a intenção é protelar, protelar e protelar.
FRANCISCO AMAURY GONÇALVES FEITOSA
2021-12-28 15:59:59roube muuuuuito e vá prá galera .. tá é bom o pior vem a cavalo mas chega.
FERNANDO ANDRADE
2021-12-28 13:44:57Esse sujeito, o tal senador chico rodrigues, retrata de forma fiel a atual situação dos chamados três poderes no Brasil. É nojento demais. E, o mais triste é que não dará em nada. Só revolta quem, como eu, ganha a vida honestamente. Como se não bastasse, ironicamente, o tcu quer saber sobre a vida financeira do Dr. Moro. Essa é demais,.... pra pensar.... Só nesse país...
Odete6
2021-12-28 12:29:49É, sr. Procurador... na verdade a continuidade é necessária para "“evitar que fatos claramente ilícitos (e jurídica e literalmente imundos, beeerrrkkk!!!) fiquem sem punição"“, não é mesmo?! É inacreditável uma ocorrência dessas, ainda que nesse ambiente horroroso!!! É mais do que urgente e indispensável repensar a incondicional representatividade como critério dominante para se eleger agentes congressuais. Esse erro do sistema só traz resultados vergonhosamente horrorosos como esse!!!
Maria
2021-12-28 12:20:31MORO PRESIDENTE 2022! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷
Waldemar
2021-12-28 12:03:27Este é verdadeiramente um caso de dinheiro sujo.
PAULO
2021-12-28 12:01:32EVITAR QUE FATOS SUPOSTAMENTE ILÍCITOS FIQUEM SEM APURAÇÃO. O que são fatos na justiça e na política brasileira? Para os "supostamente corruptos", é só chamar um professor da faculdade do Gilmar Mendes, que o mesmo fará uma tese. Vão distorcer os fatos para adaptar uma tese, em vez de fazer a tese se adaptar aos fatos. E como temos uma justiça VERTICALIZADA, o próprio GM vai acatar a tese no STF. Moro Presidente 🇧🇷
JO EL
2021-12-28 12:00:19Como ele pertence ao time de BolsoNero, nao vai dar em nada, o beicola sera o advogado deste bandido do furico cofre.