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Os espiões do Irã em Israel

Prisão de sete judeus israelenses que estariam operando para o regime iraniano no mapeamento de alvos internos mostra a preocupação com a espionagem em tempos de guerra

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Felipe Moura Brasil
5 minutos de leitura 21.10.2024 10:25 comentários 0
Os espiões do Irã em Israel
Foto: IRNA
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Sete judeus israelenses, de Haifa e outras cidades do norte, foram presos por supostamente realizar cerca de 600 tarefas para o Irã, incluindo tirar fotos e coletar dados sobre bases das Forças de Defesa de Israel, informou o Ministério da Justiça do país.

Os sete teriam reunido informações sobre as bases aéreas de Nevatim e Ramat David, o quartel-general das FDI em Tel Aviv, as baterias do Domo de Ferro, a base de treinamento de Golani e outros locais, seguindo as instruções de seus operadores iranianos.

Os suspeitos "receberam mapas de locais estratégicos de seus manipuladores", disse o procurador do Estado.

As acusações contra os suspeitos de espionagem devem ser apresentadas na sexta-feira. De acordo com o comunicado do Ministério Público, há entre eles um soldado desertor e dois menores.

A "gravidade e o escopo" do incidente estão "entre os mais graves conhecidos por Israel", disse a polícia do país.

"Esta investigação destaca os esforços contínuos da inteligência iraniana para recrutar e explorar cidadãos israelenses para espionagem e terrorismo dentro de Israel. A rede [de espiões] realizou extensas missões de reconhecimento em bases da FDI em todo o país, com foco em instalações da força aérea e da marinha, portos, locais do sistema Domo de Ferro e infraestrutura de energia, como a usina de Hadera", complementou a polícia israelense.

O histórico de terror do Irã contra Israel

Yahya Sinwar, o líder máximo do Hamas eliminado pelas Forças de Defesa de Israel em 17 de outubro de 2024, em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, pisou no Irã pela primeira vez em 2012, um ano depois de ter sido libertado da prisão israelense, onde havia passado mais de duas décadas. Naquela ocasião, Ismail Haniyeh, que seria eliminado em Teerã em 31 de julho de 2024, apareceu em vídeo apresentando Sinwar ao aiatolá Seyyed Ali Khamenei, durante reunião de terroristas com o líder supremo iraniano.

"Temos conosco dois irmãos libertados. [Um deles é] Yahya Sinwar, que passou 25 anos em prisão da ocupação sionista, condenado a 430 anos", disse Haniyeh enquanto apontava para o futuro idealizador do ataque de 7 de outubro de 2023 cometido pelo Hamas em Israel, resultando em mais de 1200 assassinatos e 251 sequestros, dos quais 101 reféns seguem em cativeiro. Sinwar estava sentado em uma cadeira ao lado de outros palestinos. Khamenei sorriu para ele, antes de dizer que todos ali "emergiriam vitoriosos" em sua luta contra o regime sionista graças às suas fortes crenças.

Seis anos depois, em 21 de maio de 2018, Sinwar admitiu à TV Al-Mayadeen, do Líbano, que o Irã financia o Hamas, e também falou da coordenação do grupo com o Hezbollah em “contatos quase diários”. Ambos os braços terroristas do regime iraniano vêm atacando, respectivamente, o sul e o norte israelenses.

Em 1° de abril de 2024, em meio às reações militares ao massacre de 7/10, Israel bombardeou um edifício em Damasco, na Síria, utilizado por comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e situado ao lado da embaixada iraniana, cujo prédio permaneceu intacto. “A Guarda é classificada por vários países como organização terrorista e tem histórico de promover mortes e caos no Oriente Médio e pelo mundo, inclusive aqui na América Latina”, apontou a StandWithUs Brasil.

A ação israelense de contraterrorismo foi deturpada pelo Irã como um ataque deliberado à embaixada do país e usada como pretexto para o primeiro ataque direto do regime iraniano contra Israel e sua população, em 13 de abril, com disparos de mais de 300 foguetes, mísseis balísticos e drones.

Em 1° de outubro, o Irã realizou o segundo ataque contra Israel, disparando cerca de 200 mísseis balísticos, dessa vez em retaliação à eliminação, em 27 de setembro, do líder máximo do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em bombardeio israelense em Beirute, no Líbano, dez dias após a explosão de milhares de pagers e walkie-talkies que havia deixado o grupo terrorista libanês enfraquecido, com a comunicação e a organização prejudicadas.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citando o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), informou na ocasião que o próprio Irã disse que atacou Israel em resposta ao “assassinato” de Nasrallah.

Em 19 de outubro, após a casa de Benjamin Netanyahu ter sido alvo de um drone lançado do Líbano, o primeiro-ministro escreveu no X:

“A tentativa do representante do Irã, o Hezbollah, de assassinar a mim e a minha esposa hoje foi um grave erro. Isso não vai me deter nem ao Estado de Israel de continuar nossa guerra justa contra nossos inimigos para garantir nosso futuro.”

Motivos de preocupação em relação ao mapeamento de alvos em território israelense por espiões do Irã, pelo visto, não faltam.

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