A Warner Bros. Discovery anunciou nesta semana uma nova parceria estratégica com o SBT, ao mesmo tempo em que a megafusão de US$ 111 bilhões com a Paramount Skydance permanece judicialmente travada nos EUA até março de 2027.
Parceria no Brasil
Enquanto aguarda a definição global, a Warner mantém operações ativas no mercado brasileiro, aprovadas sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em julho. A nova aliança com o SBT tem dois objetivos para a gigante estadunidense.
O primeiro objetivo é usar a parceria como uma ação de marketing. As empresas lançaram um especial inédito do quadro Câmeras Escondidas, exibido neste domingo (09) no Programa Sílvio Santos. A ação foi desenhada para promover o filme O Fim da Rua (The Street), que estreia nos cinemas em 13 de agosto.
Paralelamente ao marketing cinematográfico, outro objetivo da Warner é na área esportiva. As duas empresas avançam nas tratativas para a renovação dos direitos de transmissão da UEFA Champions League. O contrato atual vigora até maio de 2027. A Warner, que detém os direitos exclusivos até 2031, busca parceiros de sublicenciamento.
Impasse judicial nos EUA
Em contraste com a agilidade no Brasil, a consolidação da fusão entre Warner e Paramount enfrenta barreiras na justiça estadunidense. Uma coalizão de 12 estados dos EUA, liderada pela Califórnia, conseguiu uma liminar que suspendeu a fusão das empresas devido a preocupações antitruste.
O caso segue no judiciário norte-americano e, segundo a juíza federal Araceli Martínez-Olguín, a avaliação do processo está agendada para ocorrer entre 2 e 19 de março de 2027. Até a decisão judicial ou até 1º de junho de 2027, as empresas devem operar como entidades independentes e concorrentes.
O argumento dos estados para impedir a transação é que a união criaria um monopólio capaz de controlar 27% da distribuição de filmes e extinguir a competição em Hollywood.
Impacto financeiro
De acordo com a defesa das empresas, a suspensão prolongada gera custos operacionais elevados para a Paramount, estruturados em penalidades contratuais conhecidas como “ticking fees”.
Um dos argumentos da Paramount é que, caso o fechamento não ocorra até 30 de setembro de 2026, a Paramount deverá pagar aproximadamente US$ 7 milhões por dia (US$ 0,25 por ação) aos acionistas da Warner.
Além disso, se a fusão não for concretizada até junho de 2027 por impedimentos regulatórios, a multa poderá chegar a US$ 7 bilhões.
Apesar do cenário adverso nos EUA, a aprovação definitiva do CADE no Brasil permite que a Warner Bros. Discovery continue expandindo sua influência no mercado latino-americano através de parcerias locais, como a firmada com o SBT, independentemente do desfecho global imediato.







