Garotinho tenta esconder o passado com discurso antissistema
Ex-governador busca se consolidar como principal adversário de Eduardo Paes, mas carrega rejeição de 64%
O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) posou como antissistema durante o primeiro debate ao governo estadual realizado no domingo, 9, pela Band.
O ex-chefe do Palácio Guanabara, entre os anos de 1999 e 2002, afirmou: “Só estou de volta porque me pediram”.
"Estou voltando aqui para consertar a bagunça que eles fizeram", encerrou assim o debate.
Em segundo lugar nas pesquisas, Garotinho associou o presidente da Alerj, Douglas Ruas, ao ex-governador Cláudio Castro (PL) e ao deputado estadual Rodrigo Bacellar, preso por ligação com o Comando Vermelho.
“Tem um candidato que disfarça que não é candidato do governo mais podre que já teve no Rio. Mas não tem condição de governar o Rio de Janeiro. (...) Passou o tempo inteiro no gabinete do pai (Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo) e depois como secretário (ex, da Cidade) de Cláudio Castro".
Além disso, ele mirou no ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que não esteve presente.
Prisões
No debate, Garotinho ocultou o seu histórico nada positivo.
Ele já esteve preso preventivamente diversas vezes, acusado de compra de votos, corrupção eleitoral, organização criminosa e superfaturamento de moradias populares.
Hoje, porém, responde aos processos em liberdade.
Garotinho impulsionou sua candidatura ao adotar, nas redes sociais, um discurso voltado ao combate à corrupção e à fiscalização da classe política.
Também jornalista, ele antecipou informações sobre as operações que atingiram Rodrigo Bacellar e Márcio Canella.
Na avaliação de parlamentares estaduais, o ex-governador pode atrair parte do eleitorado conservador e se consolidar como principal adversário de Paes na disputa por uma vaga no segundo turno.
O mais rejeitado
O grande obstáculo de Garotinho será reverter a rejeição de 64% entre o eleitorado fluminense.
Ele é o candidato mais rejeitado entre todos.
Garotinho também terá de enfrentar o pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) à Justiça para executar sua condenação por improbidade administrativa.
O órgão pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para suspender seus direitos políticos por oito anos.
A condenação se refere ao caso do programa Saúde em Movimento, julgado em 2018.
Na ocasião, desembargadores concluíram que houve irregularidades na contrataçaõ da Fundação Pró-Cefet, desvio de recursos públicos e afirmaram que Garotinho atuou para viabilizar a substituição do contrato anterior.
A decisão determinou o ressarcimento integral do valor desviado, a proibição de contratar com o poder público por cinco anos e a suspensão dos direitos políticos do ex-governador por oito anos.
Essa mesma condenação já havia sido usada pela Justiça Eleitoral para barrar a candidatura de Garotinho a vereador nas eleições de 2024, com base na Lei da Ficha Limpa.
Na terça-feira, 4, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a condenação por improbidade administrativa no caso, tornando a decisão definitiva.
A missão para Garotinho ir ao segundo turno é árdua, afinal o eleitor fluminense parece não ter esquecido do seu passado.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)