Os cuidados da PF e do STF com Ciro Nogueira
O senador sofreu menos restrições do que os demais investigados na quinta fase da Operação Compliance Zero
Alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, o presidente nacional do PP e senador Ciro Nogueira (PI) sofreu menos restrições do que os demais investigados na ação.
Em relação ao político do Centrão, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou apenas a "proibição de manter contato, por qualquer meio (inclusive telefônico ou telemático), com testemunhas ou demais investigados na Operação Compliance Zero (art. 319, III, do CPP)."
Para outros investigados na operação, incluindo Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, as medidas incluem "proibição de ausentar-se do município de sua residência e do país, com entrega do passaporte na Polícia Federal no prazo de 48 horas", e monitoração por meio de tornozeleira eletrônica.
Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, foi alvo de mandado de prisão temporária.
Ligação para Alcolumbre
Após o cumprimento das buscas em endereços ligados a Ciro Nogueira, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ligou para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avisá-lo sobre a operação, registrou O Globo.
Segundo o jornal, a PF chegou a pedir um mandado de busca e apreensão no gabinete do parlamentar, mas a solicitação foi negada por André Mendonça.
Interferência nas investigações
Na representação apresentada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a Polícia Federal apontou receios de que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, pudesse interferir nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo os investigadores, o parlamentar apresentou uma emenda à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autonomia do Banco Central que aumentava o valor do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de 250 mil reais para 1 milhão de reais.
A emenda beneficiava diretamente Daniel Vorcaro e foi elaborada pela assessoria do banqueiro, segundo a PF.
Em troca, para a PF, Ciro teve despesas pessoais custeadas pelo banqueiro e ainda recebeu uma mesada de até 500 mil por meio da BRGD S.A., empresa que tinha Oscar Vorcaro, tio de Daniel Vorcaro, como diretor. Os repasses foram feitos para a CNLF Empreendimentos, empresa controlada por Ciro, conforme a PF, e que tinha o mesmo endereço de uma loja de venda de motos no Piauí.
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