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O papel da Turquia, de Erdogan, em conversas de paz entre Ucrânia e Rússia

Líder turco tem se engajado em intensas conversações com líderes internacionais, incluindo Macron, Putin e o ucraniano Zelensky

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Redação Crusoé
4 minutos de leitura 14.05.2025 08:37 comentários 0
O papel da Turquia, de Erdogan, em conversas de paz entre Ucrânia e Rússia
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A possibilidade de um diálogo direto entre a Ucrânia e a Rússia será testada na próxima quinta-feira, 15 de maio, em Istambul, conforme sugerido por Vladimir Putin, que fez o convite ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmando: "Gostaria de pedir ao presidente turco que criasse uma oportunidade para diálogos na Turquia".

Segundo relatos da mídia turca, Erdogan foi pego de surpresa pela proposta de Putin, mas reconheceu a importância do momento e está determinado a aproveitá-lo ao máximo: "Uma nova chance se abriu. Acreditamos que desta vez não será desperdiçada", declarou Erdogan.

Desde então, o líder turco tem se engajado em intensas conversações com líderes internacionais, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Encontro Rússia-Ucrânia

Ainda não está claro qual formato os encontros diretos entre os representantes da Ucrânia e da Rússia tomarão.

Zelensky já afirmou que estará "na Turquia esperando por Putin pessoalmente". Contudo, ele e outros líderes europeus como os de Alemanha, França, Reino Unido e Polônia condicionaram as discussões a um cessar-fogo de 30 dias a partir da próxima segunda-feira.

A Rússia deixou passar essa janela de oportunidade, levando muitos analistas a acreditar que Putin busca ganhar tempo para consolidar ganhos territoriais antes que qualquer acordo seja alcançado.

Dessa forma, é mais provável que os representantes dos dois países se reúnam apenas em um nível técnico na próxima quinta-feira.

Fontes em capitais europeias sugerem que esses diálogos podem resultar em um cessar-fogo gradual, iniciando pelo mar e pelo ar, antes de alcançar um acordo no solo. Resta saber se a Turquia atuará apenas como anfitriã ou se desempenhará um papel ativo nas mediações.

Independentemente do desfecho, Erdogan pretende capitalizar sobre as negociações como uma vitória política.

Para ele, essa é uma oportunidade de fortalecer sua imagem como mediador internacional, alinhando-se aos seus esforços contínuos para estabelecer a Turquia como uma potência regional indispensável.

Além disso, essa iniciativa pode beneficiar Erdogan internamente, pois ele enfrenta protestos significativos devido à prisão de seu principal rival político. No cenário internacional, ele poderia melhorar os laços com a Rússia sem comprometer suas relações com o Ocidente.

Ambiguidade diplomática

Desde o início do conflito na Ucrânia, Erdogan tem tentado equilibrar sua postura diplomática. Sua abordagem pode ser descrita como favorável à Ucrânia, mas sem adotar uma postura abertamente hostil em relação à Rússia.

Ele mediou um acordo sobre grãos que foi posteriormente suspenso e planejou um hub de gás na Turquia em colaboração com Putin. Enquanto Ankara fornece armamentos a Kiev, evita participar das sanções contra Moscou.

Essa estratégia provocou tensões com aliados da Otan — especialmente quando a Turquia bloqueou por meses a adesão da Suécia e da Finlândia ao bloco militar — mas atualmente parece estar se aproximando do Ocidente novamente.

Os Estados Unidos

O futuro das negociações também pode depender do envolvimento dos Estados Unidos; recentemente houve especulações sobre uma possível visita do ex-presidente Donald Trump a Istambul para participar das conversas.

Na terça-feira passada, Trump anunciou que seu secretário de Estado Marco Rubio estaria presente.

Ainda em fevereiro passado, americanos e russos discutiram segurança na Europa em Riad sem representantes ucranianos ou europeus presentes na mesa.

Após esse encontro, Erdogan se reuniu com Zelensky e divulgou uma foto simbólica onde estava segurando um guarda-chuva sobre a cabeça do líder ucraniano durante uma chuva — uma imagem carregada de significado político.

No entanto, resta saber se sua recém-almejada função de mediador vai além da mera autopromoção.

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