O impacto eleitoral do caso Master para Ciro Nogueira
Pré-candidato à reeleição, ele se manteve em terceiro lugar na disputa ao Senado pelo Piauí, segundo pesquisa AtlasIntel
Pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta segunda-feira, 22, indica que o senador Ciro Nogueira (PP, foto) conseguiu estancar, pelo menos momentaneamente, a sangria provocada pelo caso Master em sua pré-campanha eleitoral.
Pré-candidato à reeleição no Senado, ele se manteve em terceiro lugar na disputa, com 12,6% no consolidado de primeiro e segundo votos em junho, atrás de Marcelo Castro (MDB), com 20,1%, e Júlio Cesar (PSD), 15,8%.
Antes de virar alvo da Polícia Federal em 7 de maio, Nogueira tinha 17,7% das intenções de voto no levantamento realizado em abril.
Após a operação, ele caiu 5,8 pontos percentuais, registrando 11,9% dos votos em maio.
Um mês depois, ele oscilou positivamente 0,7 ponto percentual.
Rejeição
Ciro Nogueira é um dos políticos de maior rejeição no Piauí.
Atrás apenas de Jair e Flávio Bolsonaro, a imagem dele é negativa para 61% dos eleitores entrevistados e positiva para 23%.
Outros 16% não souberam opinar.
À frente dele na disputa ao Senado, Marcelo Castro e Júlio César têm, respectivamente, imagem negativa para 22% e 19% dos respondentes.
A pesquisa
A AtlasIntel ouviu 1.197 pessoas, por recrutamento digital aleatório, entre 16 e 21 de junho.
Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-08344/2026.
“Convergência de interesses ilícitos” entre Vorcaro e Nogueira
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, fez chegar a um assessor de Ciro Nogueira, no final de 2023, propostas de redações de projetos de lei de seu interesse, que posteriormente teriam sido aprovadas, e tinha uma "convergência de interesses ilícitos" com o parlamentar.
Segundo a PF, múltiplas conversas mantidas entre Ciro Nogueira e Vorcaro evidenciam "elevado grau de proximidade pessoal", materializada por registros de encontros frequentes em ambientes privados, viagens internacionais e reuniões sociais recorrentes.
“Em um dos excertos consignados, DANIEL BUENO VORCARO, ao se dirigir à sua então namorada, Martha Graeff, afirma: ‘Ciro Nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida'”, acrescentou a PF.
De acordo com a corporação, a relação mantida entre Vorcaro e Nogueira “revela nítido vínculo de amizade, expresso em comunicações de tom afetivo, com reiteradas manifestações como ‘saudades’, ‘como você está, meu amigo?’ e ‘quero lhe ver'”. “Tais registros não configuram fatos isolados, mas um padrão consistente e reiterado de comunicação direta e pessoal entre VORCARO e o senador CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO, revelador de vínculo próximo e duradouro”.
Esse vínculo de amizade, afirma a PF, "transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos".
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