Messias se posiciona como o ministro 'terrivelmente evangélico' de Lula
Aos senadores, o indicado de Lula para o STF falou como um "servo de Deus"
O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias (foto), concluiu sua apresentação na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado se posicionando como o ministro 'terrivelmente evangélico' de Lula (PT) no Supremo Tribunal Federal (STF).
A expressão foi usada pela primeira vez por Jair Bolsonaro, na época da indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal.
Aos senadores, Messias falou como um "servo de Deus".
"Eu gostaria de dizer com muita clareza para a nação brasileira e para vossas excelências: aqui vos fala um servo de Deus. Eu caminho com Deus há 40 anos, que me acolheu desde criança. Tive a fortuna de nascer em uma família de evangélicos, meus pais, Edna e Edson, que me assistem. Plantaram muito cedo a semente da fé e o que, sem dúvida, salvou a minha vida. Para mim, ser evangélico é uma bênção, não um ativo. A minha identidade é evangélica.
Todavia, eu tenho plena clareza, senador Fabiano Contarato, que o Estado constitucional é laico, uma laicidade clara, mas colaborativa, que fomenta o diálogo construtivo entre o Estado e todas as religiões, em prol da fraternidade e da inclusão, sem admitir favorecimentos ou inações entre as diversas confissões religiosas de nosso país. A laicidade nos acompanha desde a Constituição Republicana em 1891. Essa tradição de neutralidade estatal e matéria de fé é a célula da nossa identidade nacional na condição de nação diversa em formações e culturas. Presidente Otto Alencar, é a laicidade do Estado que assegura a todos o exercício da fé com tranquilidade. O juiz constitucional deve ser leal a isso. Juiz que coloca suas convicções religiosas acima da constituição não é juiz."
Segundo Messias, é possível interpretar a Constituição com fé, "e não pela fé".
"Pois bem, firmado respeito absoluto à laicidade. Devo lhes dizer, como servo de Deus, que os princípios cristãos me acompanham em qualquer jornada da minha vida. Tenho clareza que o Estado laico não interdita considerar a base ética cristã que cimenta a nossa Constituição. É possível interpretar a Constituição com fé, e não pela fé. Nossa Carta foi promulgada sob a proteção de Deus, como declara o preâmbulo. Afirma que somos uma sociedade fraterna, justa e solidária, inclusiva, um chamado a ver o outro um irmão, e não um adversário. Os objetivos fundamentais da República, assim como preconiza o artigo terceiro da nossa Carta Magna, senador Eduardo Braga, refletem essa visão. Promover o bem de todos, erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades sem preconceitos e sem discriminações.
O edifício cristão também evoca a proteção irrestrita da família no seu artigo 226, a proteção integral das nossas crianças e adolescentes e a defesa da inviolabilidade do direito à vida, claramente no artigo 5º, caput da Constituição Federal, princípios que orientam a interpretação da Constituição simplesmente porque na Constituição. Portanto, asseguro aos meus irmãos, que todos esses valores espirituais me acompanharão na tarefa a que me estou propondo, caso tenha a honra de ser aprovado por este Senado Federal."
Além da proximidade com o governo Lula, a indicação de Messias foi um aceno do petista ao eleitorado evangélico.
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