Kast repete Trump e inicia construção de muro na fronteira com Peru
Obra era promessa de campanha do presidente chileno José Antônio Kast; Maioria de imigrantes ilegais é composta por venezuelanos
O Chile iniciou nesta segunda-feira, 16, a construção de um muro na fronteira com o Peru.
A barreira física era uma das promessas de campanha do presidente chileno, José Antonio Kast (foto), com o objetivo de barrar a entrada de migrantes irregulares.
Antes mesmo de ser eleito, Kast chegou a lançar um ultimato aos imigrantes ilegais.
O prazo dado para a finalização da obra é de 90 dias.
"Hoje começamos a frear a migração irregular", disse Kast a jornalista, à frente de uma escavadeira que abria uma vala perto do posto fronteiriço de Chacallute, na cidade de Arica.
Além dessa, outras barreiras físicas serão instaladas em cidades fronteiriças com a Bolívia.
Venezuelanos
A maior parte dos imigrantes ilegais que tenta entrar no Chile é composta por Venezuela.
Muitos deles tentaram fugir para o Peru no fim do ano passado.
Segundo o analista político peruano Dardo Lopez-Dolz, o Peru não tem condições estruturais para absorver esse contingente.
"Os serviços públicos de saúde estão completamente sobrecarregados pelos mais de 2 milhões de venezuelanos, e a população identifica-os diretamente com o aumento da extorsão, dos assaltos e dos homicídios. As estatísticas confirmam o sentimento popular", afirma.
Para Lopez-Dolz, o Chile deveria assumir a responsabilidade pelos migrantes que deseja expulsar.
“A alternativa seria oferecer transporte aéreo ou marítimo para a repatriação. Empurrá-los para a fronteira do país vizinho é apenas passar o problema adiante. O presidente Jeri faz muito bem em não permitir que entrem ilegalmente."
Perfil dos migrantes
O perfil dos migrantes venezuelanos, segundo Lopez-Dolz, mudou radicalmente.
Enquanto as primeiras ondas que fugiam do regime chavista eram formadas por profissionais e técnicos acostumados ao trabalho, o fluxo atual seria composto majoritariamente por pessoas dependentes de auxílios governamentais.
Segundo ele, com maior propensão ao crime.
"Mas após 26 anos de socialismo do século 21, a idiossincrasia das novas gerações deteriorou-se profundamente. Hoje, são maioritariamente pessoas habituadas a subsídios, desrespeitosas com a lei e com a sociedade que as acolhe e, com muita frequência, propensas ao crime. É desrespeitoso arrumar a sua própria casa empurrando para a casa do vizinho tudo o que você não quer na sua própria casa", concluiu.
Imigração
A imigração em massa e a segurança pública são as principais preocupações dos chilenos.
A taxa de homicídios, embora inferior em comparação com outros países latino-americanos, subiu nos últimos anos.
Os chilenos associam o aumento da criminalidade à entrada de estrangeiros em massa.
Na campanha, Kast adotou um discurso de tolerância zero com o crime e com os narcotraficantes.
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