Adriano Machado/Crusoé

Justiça de SP arquiva inquérito aberto a pedido de Wassef contra rival da JBS

21.07.21 07:30

A Justiça de São Paulo arquivou um inquérito policial aberto há mais de dois anos para investigar a empresa indonésia Paper Excellence por suposta ameaça e extorsão contra o advogado Francisco de Assis, diretor jurídico do grupo J&F, e hackeamento de e-mails da holding que controla a JBS.

A investigação foi aberta em 2019 a pedido de Frederick Wassef, que, além de ser advogado da família Bolsonaro, também defende Assis, um dos delatores da JBS, no caso policial. O diretor da holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista acusava a Paper de estar por trás dos supostos crimes por causa da disputa travada na corte de arbitragem pelo controle da Eldorado Celulose.

Como mostrou Crusoé no ano passado, o pedido de investigação foi assinado pela advogada Ana Flávia Rigamonti, ex-funcionária de Wassef que cuidou de Fabrício Queiroz no período em que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro ficou escondido em Atibaia antes de ser preso, em junho de 2020, acusado de operar o esquema de desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa do Rio.

Wassef só assumiu oficialmente o caso de Assis, com uma procuração com data retroativa, depois que Crusoé revelou que ele recebeu 9,8 milhões de reais da JBS e foi na Procuradoria-Geral da República no fim de 2019 para tentar salvar o acordo de delação premiada da cúpula da empresa. Segundo a companhia, Wassef só atuava para a empresa em inquéritos policiais.

Por mais de dois anos, a Polícia Civil paulista investigou as ameaças contra Assis, que teriam começado com uma ligação anônima feita de um orelhão, e o hackeamento dos e-mails da JBS, que se dizia alvo de uma “organização criminosa” montada pela empresa rival. Um delegado chegou a pedir a prisão dos executivos da Paper Excellence, mas a Justiça negou.

A polícia não encontrou provas das acusações feitas por Francisco de Assis contra a rival da JBS em uma disputa empresarial que vale 15 bilhões de reais — em fevereiro deste ano, a Paper Excellence venceu a arbitragem. Na semana passada, o Ministério Público defendeu o arquivamento do inquérito e classificou a petição feita pela ex-funcionária de Wassef como “representação criminal megalômana”.

Segundo os promotores, o pedido de investigação em favor do diretor da JBS “apresenta várias inconsistências, que minam a sua credibilidade”. Após a manifestação do MP, a juíza Márcia Mayumi Oshiro, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro da Justiça de São Paulo, determinou o arquivamento do inquérito.

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