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Diários

Jornal americano aponta PCC como “potência global de cocaína”

The Wall Street Journal destaca expansão internacional, infiltração em setores da sociedade e discussão sobre "terrorismo"

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João Pedro Farah
4 minutos de leitura 21.04.2026 16:09 comentários 0
Jornal americano aponta PCC como “potência global de cocaína”
Reprodução.
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O jornal americano The Wall Street publicou uma reportagem que retrata o Primeiro Comando da Capital (PCC) como uma "potência global de cocaína".

"De tráfico de armas em Boston a ataques piratas na Amazônia, o PCC representa um dos maiores riscos aos esforços internacionais para conter o crime organizado", diz trecho da matéria.

Segundo o jornal, a facção se tornou uma das maiores organizações criminosas do mundo, sendo comparada à máfia italiana.

"(...) reformulando os fluxos globais de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa e avançando em direção aos Estados Unidos".

Presença nos EUA

O governo americano identificou pessoas ligadas ao PCC em estados como Nova York, Flórida, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.

Como mostramos na reportagem De faccionados para terroristas, também há registros de atuação do Comando Vermelho (CV) em solo americano.

A reportagem destaca ainda discussões dentro do governo de Donald Trump sobre a possibilidade de classificar o PCC como Organização Terrorista Estrangeira.

O governo Lula é contra a medida.

Nível organizacional

Segundo o jornal, o PCC se destaca pelo "nível máximo de organização".

"Os membros do PCC mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama. [...] Novos integrantes aderem a um rígido código interno de conduta, e seus rituais de ingresso às vezes são realizados por videoconferência", afirma.

A publicação também menciona a infiltração do grupo em regiões remotas do país, incluindo a Amazônia.

"Muitos evangélicos no país aderem à chamada teologia da prosperidade — a crença de que a riqueza é sinal de favor divino —, o que ajuda a facção a avançar em comunidades pobres", diz o jornal.

Em 2023, o PCC foi acusado de criar ao menos sete igrejas no Rio Grande do Norte para lavar dinheiro do tráfico.

A facção também diversificou suas atividades, atuando em setores como postos de gasolina, fundos imobiliários, motéis, concessionárias e empresas de construção.

Logística

Segundo Leonardo Coutinho, diretor do Center for a Secure Free Society (SFS), o PCC mantém conexões com organizações já classificadas como terroristas pelo Departamento de Estado americano, entre elas o grupo libanês Hezbollah.

"O PCC está metido na logística das drogas enviadas pelos portos do Brasil. Na África e no Oriente Médio, o Hezbollah assume a droga, ocultando sua origem. É o que se chama de convergência do crime", afirma Coutinho, autor do livro Hugo Chávez, o espectro.

Além disso, parte dos carregamentos de drogas sai de portos brasileiros dentro de contêineres com destino aos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Coutinho ressalta que o conceito de terrorismo vai além de atentados suicidas ou ações de grupos fundamentalistas.

"No início dos anos 2000, o PCC realizou uma série de explosões e implantou o terror em São Paulo. Em 2002, tentou explodir a Bolsa de Valores de São Paulo. Terrorismo não é só um homem-bomba se explodir. O principal objetivo é desafiar o Estado. É aterrorizar a população para buscar o fim que eles querem", afirma.

Compliance

Caso o PCC venha a ser oficialmente designado como organização terrorista pelos EUA, as investigações ganhariam outra dimensão.

Qualquer pessoa envolvida com atividades ligadas à facção poderia passar a ser enquadrada pela Justiça americana.

O exemplo mais emblemático é o do ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado formalmente por conspiração para narcotráfico e associação criminosa internacional.

Para Donald Trump, a eventual designação serviria como instrumento para asfixiar ainda mais a entrada de drogas nos Estados Unidos.

Mais compliance, mais rastreamento financeiro e mais investigação.

Leia também: De faccionados para terroristas

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