Filho de Maduro explica foto do ditador sorrindo após terremoto
Nicolasito afirma que imagem foi divulgada dois meses depois como mensagem de "amor e esperança"
O deputado chavista Nicolás Maduro Guerra, filho do ditador venezuelano Nicolás Maduro, confirmou que a foto em que o pai aparece sorrindo e fazendo dois símbolos de "V" com as mãos foi tirada na prisão.
A fotografia, segundo ele, foi feita em 25 de junho, um dia após o duplo terremoto que atingiu o país.
“Essa foto foi tirada em 25 de junho, um dia depois do duplo terremoto. Ele (Maduro) nos conta que por volta das 18h, chegou a pessoa que tira as fotos e ele estava em frente ao televisor. Estava muito chocado, muito aflito. Nesse dia, com as chamadas que pode fazer, nos ligou quase quatro ou cinco vezes, muito preocupado com a situação, perguntando coisas, como estava La Guaira. Ele não tinha ânimo de tirar a foto", diz Nicolasito, como é conhecido, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Segundo ele, a pessoa responsável pelo registro insistiu para que o ditador posasse para a fotografia.
"Por favor, venha, tire essa foto e você vai poder enviar depois. Então, ele pensou nesse momento, que essa foto poderia ser uma mensagem de que estava bem. De que está forte e que, bom, está resistindo. Efetivamente, a foto dão a impressão que ele enviou por correio postal em 13 de julho. E chegou a um endereço nos Estados Unidos em 25 de agosto. Recebemos a foto de uma foto e a família pôde ver."
O filho de Maduro afirmou que a família avaliou de que forma seria melhor retransmitir essa foto aos venezuelanos.
Nicolasito conta ainda que, em 28 de agosto, Maduro ligou para ele e ditou a mensagem com a qual a foto foi publicada: "Um pequeno presente de amor e esperança", diz o texto.
À Crusoé, uma fonte venezuelana que esteve presa recentemente nos Estados Unidos confirmou a autenticidade da foto.
"Inferno na Terra"
Maduro descobriu que a vida no Centro Metropolitano de Detenção do Broonklyn, em Nova York, não é tão glamorosa quanto os luxos do Palácio de Miraflores.
Uma reportagem da ABC da Espanha mostrou que o ex-chefe do regime chavista passa as noites gritando frases como: "Eu sou o presidente da Venezuela. Digam ao meu país que fui sequestrado e que aqui nos maltratam".
A prisão, apelidada de "inferno na Terra", já recebeu detentos famosos.
Por lá, também passaram: o rapper Sean 'Diddy' Combs, Ghislaine Maxwell - esposa do financista Jeffrey Epstein, o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, e o antigo chefe da inteligência venezuelana, Hugo El Pollo Carvajal.
Acusado de conspiração por narcoterrorismo, Maduro está preso sozinho em uma cela de três metros por dois.
O local conta com uma cama de metal fixa à parede, um banheiro e uma pequena janela por onde passa um feixe de luz natural.
Julgamento
Junto com Maduro, sua esposa, Cilia Flores, também aguarda julgamento ou sentença definitiva.
A dupla foi capturada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, durante uma operação em Caracas.
Em 5 de janeiro, o ditador compareceu perante o juiz Alvin Hellerstein, em Manhattan, e se apresentou como "Presidente da República da Venezuela".
Na primeira audiência, alegou ter sido "sequestrado".
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