A música ganhou forma física há aproximadamente 40 mil anos, segundo descoberta de 2008 liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard na caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.
A equipe encontrou fragmentos de um instrumento feito de osso oco com cinco aberturas para os dedos e uma extremidade em formato de V, características que permitem produzir sons reconhecíveis.
A descoberta marcou um ponto de virada na compreensão de quando a música ganhou forma física, mas não resolveu o mistério de sua origem.
Pesquisadores ainda não chegaram a um consenso definitivo, e achados arqueológicos espalhados pelo planeta fornecem pistas sobre quando nossos ancestrais começaram a criar sons organizados e instrumentos para expressá-los.
Compreender o surgimento dessa forma de expressão revela muito sobre a própria natureza humana.
Pesquisa revela um dos principais mistérios da humanidade: como a música foi inventada?
A região germânica não é a única a guardar evidências desse impulso criativo.
Perto de Hohle Fels, foram encontrados outros exemplares talhados em marfim de mamute, com datação entre 42 mil e 43 mil anos.
Essa concentração de achados convenceu muitos pesquisadores de que a habilidade para produzir instrumentos já estava consolidada naquele período, o que sugere práticas ainda mais antigas.
A técnica necessária para criar esses objetos revela conhecimento sofisticado sobre materiais e acústica.
Em outro continente, o sítio arqueológico de Jiahu, na China, revelou descobertas semelhantes.
Flautas talhadas em osso de grou chegam a ter 9 mil anos e ainda conseguem produzir escalas musicais reconhecíveis, o que indica precisão na fabricação.
Esse achado em outro continente indica que diferentes populações humanas, isoladas geograficamente, desenvolveram capacidades similares de forma independente, sugerindo que o impulso musical é uma característica profundamente humana.
A Eslovênia apresenta um caso mais controverso: um artefato ósseo de urso das cavernas, com 4 furos alinhados, foi atribuído aos neandertais e pode ter até 60 mil anos.
Numerosos paleoantropólogos questionam essa interpretação, e eles argumentam que hienas podem ter deixado as marcas ao roer o material, e não mãos que tentavam criar um instrumento musical.
A ambiguidade mostra como a ciência lida com múltiplas interpretações para um mesmo objeto.
As teorias sobre por que a música nasceu
Explicar a motivação por trás dessa invenção é tão desafiador quanto datar os objetos em si.
Charles Darwin propôs que ritmos e melodias evoluíram através de seleção sexual, funcionando como cortejo, um mecanismo semelhante ao das vocalizações de diversas aves durante o acasalamento.
Essa visão enfatiza o papel da atração reprodutiva no surgimento da musicalidade e sugere que a música serviu a um propósito evolutivo primordial.
Outras correntes associam o fenômeno à necessidade de fortalecer a coesão grupal e à comunicação entre mães e bebês.
Esse tipo de canto teria aprofundado laços emocionais antes mesmo de as línguas articuladas existirem.
Nessa perspectiva, a música funcionaria como mecanismo social e afetivo primário.
Há ainda quem defenda que música e linguagem compartilharam um estágio evolutivo comum, uma capacidade única que posteriormente se fragmentou em dois sistemas distintos.
Pesquisadores sugerem que a música pode ter contribuído para a expansão territorial dos humanos modernos em relação aos neandertais, oferecendo vantagem adaptativa.
Nenhuma dessas teorias foi completamente descartada, e as três competem há mais de um século sem que qualquer uma prevaleça claramente, sugerindo que a resposta completa provavelmente integra elementos de cada abordagem.







