Explicações de Pochmann sobre IBGE já estão no 6º capítulo
Presidente do instituto se defende nas redes há cinco dias, desde a saída de três servidores da divisão responsável pelos cálculos do PIB
A série de postagens intitulada "Repondo a verdade" do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann (foto), chegou ao seu sexto capítulo nesta segunda-feira, 2.
Pressionado pela saída de três servidores da divisão responsável pelos cálculos do PIB, no desenlace mais recente da crise instalada no instituto desde que Pochmann chegou, o presidente do IBGE vem tentando convencer todo mundo de que está tudo bem.
"Inconformados com o recente crescimento do IBGE, revelador da grandeza e qualidade da produção estatística e geocientífica brasileira, buscam se contrapor com mensagens falsas", diz Pochmann em sua postagem mais recente no X.
Ampliação da credibilidade?
Segundo ele, "um exemplo da ampliação atual da credibilidade do IBGE provém da retomada - em grande estilo - da presença do IBGE no exterior, após o período de insulamento interno e esvaziamento da participação em fóruns internacionais".
No quinto capítulo de sua defesa, Pochmann disse que "o encademamento de mentiras sucessivas por algumas fontes desconhece a raiz dos conflitos de interesses contrariados, acessos externos incovenientes, para não dizer ilegais, frente a inflexão promovida pela nova gestão em defesa da garantia do sigilo e da profissionalização estatística e geocientifica na maior intituição de estatística e geocientífica do país".
Funcionários do IBGE suspeitam que a exoneração de Rebeca Palis, uma das três servidoras a deixar a divisão responsável pelos cálculos do PIB, tenha ocorrido em represália aos gerentes e coordenadores que assinaram uma carta de repúdio a ações da gestão de Pochmann.
"Marcha da digitalização"
Em maio de 2025, um grupo de funcionários do instituto publicou um "Manifesto pela Integridade Técnica do IBGE", no qual manifestava "com base em compromisso constitucional, técnico e ético,repúdio à divulgação oficial do mapa-múndi invertido, em que o Brasil aparece artificialmente no topo e ao centro do mundo — um gesto sem respaldo técnico reconhecido pelas convenções cartográficas internacionais".
Pochmann se defende das críticas dizendo, entre outras coisas, que "o atraso tecnológico acumulado por mais de 12 anos foi rompido, desde 2023, com a implantação do planejamento participativo, democrático e transparente a negar a predominância da lógica das emergências".
Segundo o presidente do IBGE, "na marcha da digitalização, a inédita parceria com as maiores empresas públicas em tecnologia do Brasil (Serpro e Telebrás) ocorre em simultânea mudança profunda na trajetória do IBGE de se tornar independente de fornecedores privados estrangeiros exclusivos para o uso e transmissão de dados com inédita segurança e proteção".
Comissionados
Pochmann disse também que "por não ser vitalício, a cultura do IBGE é a de que todo CFG [cargos e funções comissionados] está sujeito rotatividade" que "entre os 40 cargos de coordenação existentes no IBGE, por exemplo, todos foram substituídos pelo menos uma vez nos últimos 10 anos".
Ele também argumentou que "o IBGE que não realizava concurso público em quase dez anos passados, rompeu com a inércia de baixos salários e o esvazimento (sic) do quadro de pessoal do total de servidores" e disse que "de 2023 a 2025, o quadro de pessoal aumentou em 21,3%, com o ingresso de 1.956 novos servidores, ao contrário do período de 2021 a 2023, quando o IBGE perdeu 2.663 servidores, equivalente a redução de 22,5% no total da força de trabalho".
Segundo Pochmann, "a atual direção do IBGE, iniciada em agosto de 2023, é a mais longeva dos últimos dez anos, com apenas 29 meses de gestão", o que classificou como "um enorme contraponto às gestões passageiras anteriores", porque "entre julho de 2016 e julho de 2023, por exemplo, passaram pelo IBGE, 5 presidentes, cujo mandato não alcançou, em média, 17 meses".
O presidente do IBGE só precisa convencer os próprios funcionários de tudo isso.
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